Mais um ano jogado fora
Aos que não viveram épocas anteriores, os dias de glória do Coritiba no cenário nacional, mais uma vez não entenderão o que digo e vão se irritar mais uma vez, pedindo, como já pediram, para que eu deixe de lado estas lamentações relembrando o bom e velho Coritiba vitorioso. Dos bons tempos de briga pela parte de cima da tabela dos brasileiros dos anos 70 e 80 e das inúmeras sequências de títulos estaduais.
Os mesmos que se irritam com esta conversa de lembranças, precisam entender que estas reminiscências do futebol vencedor, são as minhas razões e que ainda me prendem ao futebol, ao Coritiba. É só o que me faz acreditar que o Coritiba tem cura. E o problema dele, além dos tempos que de fato são outros, são seus gestores. São filhos ou netos de ideias já ultrapassadas que não servem mais, mas que insistem em ficar e fazem disso o futebol de hoje.
Temos um ano inteiro pela frente. Antes a pré- temporada que deve começar nesta segunda-feira ( 12/12), e no entanto, não vejo nenhuma movimentação pelo Alto da Glória, que me indique um caminho vencedor para 2017. Sequer dão satisfação ou algum sinal, pequeno que seja, de que podemos sonhar com algo um pouco melhor. O que nos oferecem de concreto é a renovação com Kleber e Carpegiani. E convenhamos, muito pouco para quem está em dívida com a torcida há muitos anos e precisa finalmente fazer com que o clube volte a ser respeitado como grande que foi um dia.
Este 2016 termina sem deixar nenhuma saudade, nenhuma boa lembrança. A não ser como já disse, uma breve passagem pela Sul-Americana, mas terminamos mais um ano no negativo. Só mudou a posição na classificação na tabela. Uma acima, dependendo do ano que for levado em conta. Nenhuma boa história para ser lembrada em 4 ou 5 anos.
Uma sequência de um amontoado de anos que precisam ser apagados e trocados por algo que nos devolva o orgulho perdido.
Teremos provavelmente mais um ano de nenhum planejamento, pelo menos é o que indica, tamanha a apatia que vejo entre os dirigentes.
Será mais um ano de colocar as contas em dia, presidente? Este não seria finalmente o ano de um time melhor? Se é isto, nos mostre, por favor. Queremos saber o caminho por onde o senhor tem andado para que isso de fato aconteça e que a gente finalmente acredite em sua administração.
Para que a torcida tenha bons motivos para finalmente voltar a acreditar e ajudar o clube aderindo a estes seguidos planos de sócios que pipocam de tempos em tempos, como tentativa de atrair o torcedor.
Me parece te ficado claro que o torcedor só volta a ajudar e a confiar no clube, quando os senhores conseguirem passar confiança nas suas administrações, até aqui desastradas e em alguns casos até comprometendo o futuro do Coritiba.
Para não usar o mesmo texto de anos anteriores, uso apenas uma frase que já bati bastante por aqui, tentando lhes dar mais um voto de confiança: A hora é esta. Não dá mais pra esperar, presidente Rogério Bacellar.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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