Mais um ano sem ousadias
A partir de agora, a comissão técnica tem uma semana para acertar o time que estreia no dia 20, contra o Foz. O que já deixa rabo para críticas, porque ainda muita gente deve chegar e no caso de fracasso neste começo, vão abrir a caixinha de desculpas com a velha e conhecida conversa de “ainda estamos em fase de montagem do elenco”. Para amanhã, está programado um coletivo contra o time do Rio Branco de Paranaguá. Isso já serve para dar alguma vaga ideia do que nos espera, no minimo um bom termômetro.
Se o 2018 que foi o ano mais trágico da história do clube, arrisco dizer que desta vez podemos nos aproximar de previsões mais otimistas. Pelo menos acho que é o que nos espera em 2019: um time com ligeira qualidade, se comparado ao do ano passado, quando sofremos inclusive no paranaense, com inesquecíveis vexames, coisa que acredito não deve acontecer este ano. Quem sabe também tenhamos um papel mais seguro na Copa do Brasil, mas também sem muita pretensão. Quem sabe, com um pouco de sorte, o Coritiba alcança fases com premiação um pouco melhor na competição nacional. Pelo menos melhores colocações em comparação a desempenhos dos últimos dois ou até três anos.
Como os atuais dirigentes já deixaram claro que a prioridade é a volta à primeira divisão - coisa que também ouvimos ano passado - isso deixa no mínimo o departamento de futebol em condições mais confortáveis neste começo de temporada.
Difícil mesmo vai ser convencer o torcedor que nestas pretensões, o sonho de volta à elite, é o grande objetivo de 2019. Pouco para quem sempre sonhou mais alto e ainda quer muito mais que isso.
Com o rival fazendo um planejamento com sonhos bem distantes, pensando em Libertadores etc e tal, isso tem deixado muita gente com muita dor de cotovelo, não se conformando com esta diferença abissal que já existe entre um e outro. A escala de valores de Coritiba e Atlético, são mesmo de extremos.
Sem dúvida, este é mais um problema que os dirigentes precisam saber como resolver a partir de agora. Recuperar a auto- estima e devolver a alegria ao torcedor, quem sabe isso também precise entrar na lista das prioridades.
Lembro que em seu último ano com o presidente, Bacellar largou a famosa pérola: “o problema do Coritiba são os resultados positivos do rival” - se referindo ao nível e a pressão que a torcida Coxa colocava em seu trabalho, e ele, se lamentando que não tinha como alcançar o time da baixada. Isso foi dito nas entrelinhas, mas ficou claro para bons entendedores.
Queira ou não, a verdade é bem esta, pelo menos para uma grande parte da torcida. E isso faz algum sentido, porque sem a rivalidade a brincadeira perde a graça. Ou já perdeu? Pelo menos com o tradicional adversário a coisa se encaminha para isso.
Quem sabe seja oportuno, para não sofrer tanto, pelo menos ainda este ano, nos preparamos para voos mais baixos, sem acrobacias.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (16)
