Marido traído
Mesmo que eu acredite que agora, pelo menos buscam um caminho, ainda não consigo ser tão otimista com o tema e vislumbrar uma solução rápida. No máximo vejo algum esboço de desenho tático, com Kleina, não mais que isso. Se é a mão dele, não sei. Parece que sim. Se as cobranças lá dentro são maiores, também não saberia responder. A verdade é que junto tudo que leio e vejo e diante das muitas conclusões - inclusive a de vocês que aqui comentam – vejo apenas uma diferença para o ano que passou: força de vontade e grande busca com uma vontade enorme de acerto.
A dedicação vista nas últimas rodadas de 2015, que faltou durante todo o ano, e que acabou nos salvando na reta final, parece ser o parâmetro deste início de trabalho. Ou seja, continuamos de onde paramos. Mesmo longe de conseguir convencer, afinal um empate com o Foz e uma derrota para o Toledo não são resultados que gostaríamos de ter como cartão de visitas, para o início de temporada. Começar o ano perdendo nunca foi bom sinal, principalmente dentro de uma modalidade esportiva cheia de superstição e para times de qualidade bem abaixo do que supomos, como Toledo e Foz.
Da partida contra o Toledo, Kleina saiu reclamando de violência. De fato, “porrada” numa partida com esta é um risco muito grande e isso pode ter determinado o comportamento de muitos atletas, e com consequência no resultado. Afinal, ninguém foi até lá para sair machucado e ficar de fora durante todo o resto do ano. O time menor, no caso o Toledo, vai sempre dar mais de si para superar o maior. A coisa se agravou quando Negueba e outros atletas começaram a distribuir chapéus, bola entre as pernas e tudo o mais.
O raciocínio acima é o máximo de positivismo que alcanço, motivado por alguns amigos aqui do Blog Arquibancada, que pedem mais paciência nas críticas, levando em conta o início de temporada. No que eu concordo e faço mesmo muita força para me acalmar e arrumar um pouco mais de paciência. Não sei se por conta da vivência no futebol, mas algo me diz que vocês estão certos. Sinto que este time (embora não tenha mudado quase nada),vai dar mais caldo em 2016 do que deu ano passado, embora não tenha mesmo nenhum motivo para acreditar nisso. Apenas intuição.
Ao mesmo tempo, ainda no final da semana passada, recebo email do financeiro do Coritiba, me chamando para quitar minha pendência com o clube e sair da situação de inadimplência. Diante de tal pedido, confesso, me senti no papel do marido traído. O cara que sabe que não pode mais confiar na mulher (que o trai há anos) - mas mesmo assim, só por amor, aposta mais uma vez na relação e lhe compra, dando de presente mais um colar de diamantes, com isso tentando apagar o passado que a condena.
Lembro também imediatamente do preço absurdo cobrado pela mensalidade, que se no ano passado já estava cara, agora, com quase 100% de reajuste, ficou quase impraticável. Pior, pagar caro para ver e se irritar com apresentações quase amadoras, e de sobremesa assistir a verdadeiros shows de má administração do dinheiro dos outros, como por exemplo aquela pouca vergonha que vimos, quando um dinheiro de origem ainda não explicada, acabou compondo os gastos de campanha de Gomyde, à presidência da Federação Paranaense de Futebol.
Para usar uma frase da moda, esta gente que lá está, não me representa, portanto estou fora. O meu dinheiro anda muito curto para bancar meu amor por você, Coritiba. Amor que continua grande, o amor que paga payperviw, o amor, que contribui na campanha pela estátua do Kruger, o amor que só cresce desde os anos 60 e chegou até aqui explodindo, de tão grande que ficou, mas meu dinheiro você não leva mais. Pelo menos enquanto esta gente estiver por lá, atrapalhando nosso casamento.
Quando sentir saudades, dou uma chegadinha até aí, para dar uma espiada e ver como você está.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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