Mas só o treinador?
Nenhum deles confirma ter sido procurado. Reproduzir aqui cada um destes nomes, seria alimentar o que abomino nesta nossa imprensa: a especulação que apenas alimenta a desinformação e tumultua o ambiente já bastante tumultuado, caso do Coritiba. Aliás, nem sei se há mesmo esta movimentação em torno de um novo nome, dentro do comando do Coritiba. Não sei se de fato Namur e seu grupo planejam trazer alguém. Ainda penso que vão esperar por algum milagre nas mãos de Tcheco, coisa que desta vez não acredito que seja possível.
Mas antes de tudo, trazer qualquer um destes treinadores disponíveis no mercado, representa muito mais que contratar um novo técnico. Isso vai significar mudanças radicais em todo o planejamento feito por Samir, desde que assumiu.
Sandro era uma das peças importantes deste planejamento. Seu perfil, seu temperamento, sua forma de trabalhar, até sua subserviência condizia com o momento proposto.
Qualquer um destes nomes, propostos pela imprensa, que seja o futuro treinador Coxa, significa também trazer com ele uma nova filosofia de trabalho e quem sabe alguns atletas que certamente farão parte do mesmo pacote. Ou vocês acham que alguém com algum nome no mercado vai querer pegar este time montado por Sandro, Samir e Augusto? Sabe que a vida sua será curta e o trabalho interrompido, mais cedo ou mais tarde.
Este Coritiba já deixou de ser um time ruim para ganhar a classificação de medíocre e com esta mediocridade não há futebol. Foi assim que se comportou no sábado, contra o Sampaio Corrêa. Foi humilhante ver a instituição que virou piada nos meios de comunicação. “Um time de futebol que não joga futebol” – foi o que ouvi. Preciso concordar com a maioria e me inserir num grupo que se manifesta a cada rodada: nos meus mais de 50 anos acompanhando o clube, ainda não tinha visto algo tão ruim no Alto da Gloria.
O amadorismo que tomou conta, compromete tanto o futuro que mesmo que se traga um bom nome para o comando técnico, mesmo que Samir ceda na sua teimosia, e finalmente monte um time com alguma qualidade, isso não acontecerá de um dia para outro. O tempo de 4 meses que se perdeu com Sandro e uma ideia que não vingou, precisa de um novo tempo de maturação. Não existe milagre no futebol. Resultado, mas com planejamento profissional.
Se tiver um pouco de sorte, quem sabe a gente consiga alguma coisa. O departamento de futebol do Coritiba precisa ser reinventado. Apaga tudo e começa de novo. Só assim para reconquistar a confiança que se perde a cada semana.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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