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ArquibancadaSergio Brandão

“Mauá de fogo”

Se o Coritiba não cair, sugiro uma reunião de todos nós torcedores no Couto Pereira, já no dia seguinte. Será uma reunião de uma fauna, de novos atletas, novos cristãos, gente de cabelo amarelo, verde, gente pelada, sem celular durante alguns meses, novos frequentadores da Perpetuo Socorro e por aí vai. Uma grande reunião de muitas promessas.

Além da alegria que seria a permanência na primeira divisão, também seria engraçado ver caminhadas de mais de 30 km até o alto da Glória, ateus indo à missa, conservadores pintando cabelo de amarelo, nerds sem celular durante meses. Só mesmo o amor por este clube para mexer assim com sua apaixonada torcida que ainda teima em acreditar.

Este é o quadro que agora rola nas redes sociais. É o que vejo entre uma torcida que não se dá por vencida e agora apela para o sobrenatural, com promessas as mais variadas, para ainda acreditar que com suas promessas o clube não caia. Umas engraçadas, outras sérias, algumas de compromissos sérios, até de mudança de hábito de vida. A paixão, a magia do futebol apelando para o último recurso.

Pena que dos muros para dentro do Alto da Glória e do CT da Graciosa, não seja possível compreender este espírito. Como não foi possível compreender a festa que a torcida fez antes do jogo contra o São Paulo e em tantos outros, nas recepções ao time, na chegada ao Couto Pereira, na chamada “ Mauá de Fogo”.

Este elenco parece mesmo tão desconectado da causa, que os atletas descem do ônibus, diante de tamanha manifestação, com seus fones de ouvido, ouvindo suas canções, não se deixando envolver pelo calor da recepção preparada por centenas de apaixonados Coxas-Brancas. Pena! Se não tivesse sido assim, quem sabe estas tantas manifestações, teriam inflamado e teriam tido finalmente o efeito proposto.

Lembro que numa destas manifestações da “Mauá de Fogo”, eu mais uma vez emocionado, fiquei ali pensando no efeito que aquilo tudo teria na cabeça daqueles jogadores que chegavam ao seu local de trabalho. Imagino que se não houver equilíbrio emocional, seja até preciso chegar no vestiário e se refazer, tamanha a energia que envolve o manifesto que já virou um grande evento em dia de jogo importante no Couto.

Contra o São Paulo, jogaram fora a última oportunidade de tentar levar para dentro de campo a energia que a torcida mais uma vez colocava à disposição de um grupo que pouco conseguiu entender do que se tratava aquilo tudo.

Foi mais uma das tantas manifestações de amor a um clube de futebol. De um bando de apaixonados e de malucos que agora, mesmo nesta situação de descrédito total, ainda se mobiliza em caravanas , para ir até Chapecó e mais uma vez estar ao lado do time. Como quem vela , cuida do que é e sempre foi seu ...seu grande amor.

Parabéns torcedor Coxa! Você é mesmo um caso a se estudar e que merece muito respeito. Não merecia estar passando por tudo isso.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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