Meu caro presidente,
Em muitas oportunidades já disse aqui que o futebol que vi o Coritiba jogar em décadas passadas, era diferente do que jogam hoje, muito deferente mesmo. Aquilo era futebol. Para o que fazem hoje, deveriam arrumar um outro nome, uma outra classificação, menos chamá-lo de futebol.
Foi nisso que lembrei assim que li um trecho da entrevista dada pelo senhor, quando cobrado pelo que andamos vendo.
Entre outras coisas, disse o senhor que "apesar do Coritiba não ter jogado bem contra o Santos, nas últimas rodadas estamos jogando bem. A bola está batendo na trave e nossos atacantes estão perdendo muitos gols. Estamos tendo muito azar com jogadores que se machucam. Ney Franco não consegue contar com o time inteiro. Os jogadores precisam mudar a cabeça e jogar com mais raça e amor à camisa".
Oras bolas meu caro presidente... O que o Coritiba está jogando não é futebol. Me admiro o senhor, que viu grandes times nas décadas de 60 e 70, chamar estes caras para compor seu primeiro time como presidente do Coritiba???
Assim como o senhor que nunca foi presidente, eles também nunca foram atletas. Assim como nossos diretores que não foram diretores, nossos vices que nunca foram o que pensam que são. Juntos, vocês todos transformam o que era o Coritba Foot Ball Club, em sei lá o quê.
Tentar fazer a gente achar que isso é futebol, é até um desrespeito à nossa inteligência. Aceito qualquer argumentação para tentar colocar um pouco de dignidade nesta segunda etapa do brasileiro, mas esta conversa de sempre já não é mais possível engolir, meu caro presidente.
Quando estivermos na conta do aproveitamento de 100%, de ter que vencer todas as partidas dali pra frente par não cair, então vocês dirão o quê?
Esta falta de atitude quando ainda havia algo para ser feito, não nos deixa acreditar em nada melhor daqui pra frente. Me desculpe, presidente, mas esta turma mais parece um grupo de dirigentes de um clube de bolão, de confraria, que confraterniza em encontros de fim de semana.
Com todo o respeito que ainda tento ter pelo senhor, presidente, esta conversa mole depois de cada derrota, precisa mudar, entre outras tantas coisas até mais sérias e o senhor sabe disso. É que antes, lá no começo, deveria ter mudado principalmente o comportamento. A falta de atitude chega em níveis de muita irritação e para as próximas semanas temo pelo pior. É que por enquanto, os que se manifestam mais ousadamente, apenas picham muro.
Para falar apenas do departamento de futebol. Não é preciso ser profundo conhecedor, e entender que não há mais clima para o trabalho de Ney Franco. Não há mais clima para colocar nas emissoras de rádio e nos jornais, conversas sobre suas decisões com seus diretores e vices, com suas trapalhadas e desconhecimento sobre futebol.
É insuportável ter que ouvir dizer que o Coritiba está jogando bem. Se o senhor de fato acredita nisso, então temos mais um problema dr. Rogério Bacellar. Sim, porque temos visto de tudo desde o começo do ano, menos futebol bem jogado.
Não vai lhe custar um preço mais alto do que o senhor já paga, se tiver mais atitude. Já está escrito na história do Coritiba este seu começo de administração. É o preço que o senhor e seus amigos infelizmente vão pagar, por colocar o Coritiba nesta situação que colocaram. Entre muitos problemas criados, o pior: na segunda divisão, novamente.
Não lhe cabe muita alternativa, se não mostrar trabalho pelo menos agora, mandando embora Ney Franco e colocando Tcheco ou qualquer outra pessoa de sua confiança no comando técnico, desde que não seja todos aqueles nomes que todos sabemos, fazem do Coritiba a casa da mãe Joana. Exagero meu? Brincadeira? Não, ultimamente as coisas aí dentro mostram absurdos neste nível.
Faça algo, até pelo seu próprio bem, pela sua saúde, presidente. O senhor vai se sentir mais útil se assim o fizer. Vai dormir com a consciência menos pesada, pelo menos com a sensação de ter feito algo. Chega de medidas paliativas, presidente.
Seu primeiro ano de gestão já está marcado. Para nenhum Coxa branca esquecer. Procure no mínimo dizer a que veio. Que vivemos um regime presidencialista e é o senhor que manda.
Faça isso não só pelo Coritiba, mas também pelo seu bem estar. Tenho certeza que o senhor vai se sentir melhor.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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