Na espera de milagres
Ainda não se acostumou? Não dá, né? Eu sei! A paciência tem limite e o Coritiba já passou deste limite faz muito tempo, não é?
É que a gente sempre acha que um milagre pode nos salvar e que ele virá na rodada seguinte. Como que por encanto o time passe a jogar como em raras vezes, quando esboçou algo que se aproximou de um futebol razoável.
Aliás, falando em Bacelar, lembro de Thiago Galhardo que não deu certo por aqui na época dele, e que na sequência se deu bem por onde passou e está de volta ao Alto da Glória, mas agora para dar uma bela assistência ao Pablo Guerreiro e garantir a vitória ao Internacional, nesta estreia do Brasileiro da pandemia.
Assim como Galhardo, outros tantos que por aqui estiveram e não deram certo, mas que corresponderam em outros clubes, como Zé Rafael, a maior incógnita dos últimos anos - que deu certo até no Londrina, mas no Coxa não.
A “zica” é tão grande, que não duvido que a mesma história se repita com Thiago Lopes e outros que chegam a me arrepiar quando leio o nome entre os convocados para a rodada.
Como hoje, na semana passada, no mês passado no ano passado, na gestão passada etc. etc. etc.
O Coritiba dos últimos anos precisa de um pai –de-santo, de um padre, de um guru, de um psicólogo, de um psiquiatra, do Papa, para sair deste buraco que se meteu.
Analisar jogo a jogo é cair na velha ladainha. Analisar as gestões dos últimos três mandatos é chover no molhado.
Quando elegemos pontos como os acima citados, de jogadores que aqui não dão certo, mas vingam em outros clubes, alguns analistas conseguem culpar a torcida, que para eles é impaciente e não aceita erros nesta adaptação necessária que é a transição de categoria.
Seja como for, torcer para o Coritiba, acompanhar rodada a rodada não é para qualquer um. Tem sido um exercício de olhar além do clube. É preciso pelo menos tentar entender além do futebol. Porque o que temos tido no Coritiba é tudo, menos futebol. Alguns até acham que é, mas começo a desconfiar que pode se tratar de algo além disso. Quem sabe uma iniciação para formação de futuros budas, padres, criaturas santas, sendo preparadas para um mundo ainda em formação que agora não saberia definir.
Se buscar na memória, tudo que teria para falar sobre este Coritiba e Internacional, não seria diferente de tudo que já disse aqui há 6 anos, desde que escrevo para o COXAnautas.
Talvez por conta de outras épocas, dos tempos que fui apresentado ao futebol, lá pelos anos 60 e 70, ainda são os motivos que me fazem acreditar que este Coritiba ainda tem jeito. Que um dia pode voltar a ser um clube de futebol.
Há pelo menos 10 anos, vejo os problemas se repetirem, com os mesmos personagens, com as mesmas histórias com as mesmas justificativas e desculpas.
Coritiba e Inter, não foi muito diferente de Coritiba e Nacional de Manaus, quando nos despedimos precocemente da Copa do Brasil, ainda na história recente do clube já há alguns anos, e vocês sabem muito bem que não precisa ir tão longe assim. Ainda este ano fizemos mais uma destas patetadas que andam manchando a história do clube.
Como não será diferente de Bahia e Coritiba na próxima quarta-feira, a não ser que um grande milagre aconteça, como disse acima. Assim temos vivido, na esperança, de milagres.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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