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ArquibancadaSergio Brandão

Não é só futebol

Não dá pra fazer de conta que não sei, que não me informo e o que importa são os resultados do trabalho do cara como funcionário do clube.

Hoje, o politicamente correto funciona como filtro cada vez mais seletivo e a contratação, seja lá de quem for, provoca uma varredura na vida do escolhido. Seja como treinador, jogador, dirigente… qualquer cargo que tenha alguma influência direta no futebol do clube, seja ele de ponta ou não.

Casos recentes de Antônio Carlos Zago, treinador contratado pelo Coritiba para substituir António Oliveira no Coritiba e Cuca no Corinthians. Os dois com um passado nada recomendável.

Zago tem o histórico de racismo com manifestações já há alguns anos, quando se referiu pejorativamente a jogadores negros e também com manifestação xenofóbica com o povo de Belém do Pará.

Cuca é acusado de envolvimento em um caso de estupro de uma menor, na Suécia, ocorrido há mais de 30 anos. O caso de Zago é possível confirmar, o de Cuca não. Ele nega.

Neste momento do texto relembro o título: Não é só futebol. Porque a sociedade mudou, as pessoas são mais cobradas e algumas manifestações não são mais toleradas. A exposição é maior, principalmente aos que sobem ao palco e protagonizam posições de destaque em vários ambientes na cena do futebol mundial.

Na Arábia, Cristiano Ronaldo pode ser deportado por conta de um gesto obsceno quando segurou seu órgão genital em resposta à torcida que se manifestava contra ele, enaltecendo Messi.

Não é só futebol, porque a sociedade avançou, mas alguns comportamentos dentro dele, ainda seguem os padrões antigos.

O caso de Cuca aconteceu há mais de 30 anos e na época ele tinha apenas 20 anos de idade. Hoje o caso é recuperado provavelmente por causa das cobranças que, na época se não eram aceitáveis, a sociedade fazia de conta que não via. As pessoas crescem e evoluem porque compõem a mesma sociedade e não dá pra ficar para trás. Quero acreditar que Cuca não é o mesmo de 30 anos. Merece uma chance? Quero crer que sim.

E no caso de Zago que é bem mais recente e que a torcida do Coritiba, ao contrário da torcida do Corinthians, prefere não tocar no assunto, porque o que importa é o futebol e não as posições políticas ou de comportamento social dos seus funcionários ?

Talvez porque o trauma profissional provocado pelo treinador anterior foi tão grande que as posições sociais de Zago não importam, desde que faça o seu trabalho e apresente bons resultados? Pra mim não. Acho que este filtro já deveria ter sido feito pelos dirigentes, antes dos primeiros contatos com o treinador.

Nem levo em conta só a relação de Zago com parte do grupo de jogadores do Coritiba que é negra e isso talvez possa criar um mal estar. Minha preocupação é com seu caráter.

O Coritiba ensaia a saída de uma das maiores crises de sua história. Pra ser um clube moderno, acho que além do futebol, precisa entender seu real papel diante de sua torcida.

Não sei se entendi mesmo este conceito de futebol moderno. Só sei que hoje os grandes clubes precisam ter responsabilidade social.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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