Noite tensa no Couto
Aliás, nos últimos anos, todas as partidas do Coritiba ganham ares de decisão. É que sempre que pode, o time conquista esta condição logo no início das competições nacionais que participa. Logo nas primeiras rodadas, vai transformando a rodada seguinte em superação, e o problema é que a superação anda vindo só da arquibancada, cada vez com menos gente.
Toda partida acaba virando jogo de vida ou morte, nem podendo se dar ao luxo de queimar a gordura que muitos times conquistam no começo, para depois perder um pouco de fôlego na competição, comportamento até normal, mas no Coxa há tempos é diferente. Ultimamente já larga correndo atrás do prejuízo.
As mexidas na frente, com Vinicius entrando ao lado de Kleber e a entrada de Nery, dão a certeza que Pachequinho faz o que pode com as ferramentas que lhe dão para trabalhar. Muitas vezes, quando precisa de uma chave de fenda, lhe dão um alicate. E convenhamos, fazer de um alicate, uma chave de fenda, é complicado.
Temos pelo menos um treinador que tenta as mágicas possíveis. Ao contrário de Kleina, que parecia mais estragar do que arrumar. Como um martelo que marretou nossas cabeças sem que fosse possível entender muitas de suas teimosias e estragos irreversíveis que provocou no time, que por conta disso até perdeu o título estadual. Teimosia dele e da diretoria em tê-lo mantido no cargo por tanto tempo, livre, sem que sequer fosse cobrado por muitas decisões equivocadas.
Neste momento, depois de muitas rodadas, ainda é bom lembrar destes episódios. Mesmo que pelo menos um deles já faça parte do passado, ainda outros, e grande parte deles, ainda estão aí. Se por um lado Kleina se foi, ainda estão no comando os autores da vinda dele para cá. Kleina foi demitido, mas os dirigentes continuam aí.
Agora, a torcida quer demiti-los na base da pressão, com muitas manifestações de “fora Bacellar”! Foi o que restou, poque além deles está um outro problema: um conselho conivente, inoperante e que já se revelou incapaz de ajudar o Coritiba a sair deste buraco.
Para hoje, independente de resultado, estas manifestações devem acontecer. E sugiro, devem se concentrar apenas nos dirigentes, não em Pachequinho ou no time, independente do resultado. No caso de vitória, os ânimos devem serenar um pouco. No caso de derrota, o caldeirão pode ferver.
Confesso que às vezes torço para que o “circo pegue fogo” de uma vez, para que as coisas se encaminhem definitivamente para algum lugar. Este “faz de conta” que tudo está sob controle, é mais irritante ainda. Para o bem ou para o mal, que se encaminhe de uma vez para algum lugar.
Hoje me poupo de possíveis aborrecimentos, como muitos de vocês. Não vou ao estádio. Acompanho de longe, fazendo uso do que a tecnologia me oferece.
Mas calma lá! Protestos, sim, mas dentro do tolerável, sem violência.
Boa sorte a todos! Vamos precisar.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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