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ArquibancadaSergio Brandão

O novo Couto

Como se fosse na década de 70, quando assisti “2001 -Uma Odisseia no espaço”, de Stanley Kubrick. O filme foi o marco da ficção científica, e impressionou dando início a uma era de efeitos especiais, no cinema mundial.

Pois hoje, roda na internet na página “Coxa no Face” algo semelhante, falando sobre o novo estádio, o Novo Couto, algo muito próximo da megalomania. O vídeo concebido, editado e produzido pela Realiza Arquitetura, mostra um estádio autossustentável, um ícone urbano, com milhões de qualidades incontáveis e inimagináveis.

Neste vídeo, que não sei por quem foi encomendado, é apresentado o Novo Couto, o melhor estádio do Brasil. Entre suas qualidades, diz o texto que o Novo Couto abrigará inclusive restaurante panorâmico, lojas de conveniência, garagem coberta para 3 mil carros, centro de convenções de 7 mil e 500 metros quadrados, com capacidade para abrigar 45 mil expectadores (em até três shows simultâneos), centro de entretenimento e até estádio virtual para o torcedor acompanhar os jogos do verdão, fora de Curitiba. A locução termina dizendo: “Seja bem –vindo ao novo Coritiba Foot Ball Center, o Novo Couto Pereira. Como percebem, muda até o nome, que de Club, passa a se chamar Center. Entre as perolas do texto do vídeo, está lá que entre tantas qualidades, que também terá inclusive sanitários.

Gente, estou sem saber o que dizer. Fui tomado por um estado de choque que não cabe definição. Meu vocabulário ainda não encontrou palavras pra definir o tamanho da surpresa de que fui tomado. Aconselho que você assista o vídeo e depois se manifeste por aqui e me ajude a entender e a raciocinar.

A citação ao filme “2001 – Uma Odisseia no espaço”, só porque foi o que minha memória conseguiu puxar de coisas fantásticas que assisti até hoje, em produção de filme ou vídeo.

Olha, sou da área de vídeo, conheço bem os recursos de uma ilha de edição, sei muito bem as maravilhas que estas máquinas fazem. Transformam sonhos em realidade. Colocam a gente num mundo fantástico, coisa que temos visto em campanhas políticas com essas obras virtuais e maravilhosamente fantásticas.

O Novo Couto é de fato fantástico. Será para sair daqui de casa, acampar ali na frente, nas esquinas da Mauá, com a Amâncio Moro para admirá-lo todos os dias. Montar uma barraca na calçada e ficar ali com toda a família, adorando e reverenciando o templo sagrado do futebol que vão nos dar.

Será um show de obra que diminuiria, deixaria pequeno se fosse chamado de estádio. Vão ter que arrumar uma designação para esta revolução arquitetônica que deve mudar toda a concepção de uma arena multiuso.

O Coritiba superou ou vai superar tudo isso. Esta obra resgata definitivamente a autoestima que tanto falei e implorei durante meses aqui no blog.

Se for isso mesmo, nós torcedores seremos pequenos diante de tamanha ostentação. Vou me sentir envergonhado entrando numa suntuosidade destas. Não será mais possível ir ao Novo Couto, vestido como sempre fui. Espero que nas lojas de conveniência, me ofereçam smoking para alugar, assim poderia assistir aos jogos do meu verdão sem constrangimento.

Não esqueça: entre lá no Facebook, procure pela página Coxa no Face e depois me diga o que achou.

Ah, sobre o time que vão colocar lá dentro, para jogar bola, não falaram nada. Acho que ainda esperam pela invenção de uma máquina de edição que resolva isto.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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