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ArquibancadaSergio Brandão

O ano para preparar o futuro

Quando digo que o Coritiba teve mais sorte que juízo, me refiro a casos, por exemplo, das contusões de Alan Santos e J. Paulo, e que por conta disso tiraram Amaral do anonimato. Ao pé da letra, esta sorte que me refiro, não significa apenas ausência de competência.

João Paulo e Alan Santos são apenas queridinhos de alguns, mas passam longe de agradar à maioria. Principalmente J. Paulo, bastante criticado desde que chegou e injustamente, só porque veio de onde veio. Poucos aqui são capazes de avaliar exatamente a qualidade técnica do jogador. Pra não me eximir de opinião, também faço minhas restrições ao jogador. Erra demais, principalmente nas saídas de bola, mas é inegável seu espírito combativo, como destruidor de jogadas dos adversários. Já Alan Santos, é jogador mais de criação, sofre de altos e baixos. Mas acho que são dois atletas que devem ser mantidos para o ano que vem. Alan Santos por razões bem mais fortes. J. Paulo seria um boa opção de banco. Por enquanto, Amaral é o titular do meu time.

Quando me refiro à sorte, associo a competência de Carpegiani de ter conseguido recuperar Amaral e um outro jogador sabidamente talentoso como Leandro. Mas que há anos não servia para ninguém: Leandro se transformou nos segundo artilheiro do grupo, salvando o Coritiba com seus gols oportunos em partidas decisivas nesta reta final.

A sorte que nos faltou em muitos momentos e que agora reaparece oportunamente, mas parece nos avisar cada vez mais claramente: “Não abusem de mim”, posso faltar novamente”!

Com um pouco de sorte e competência de poucos, chegamos ao final de mais um ano, livres da degola. Eu não ousaria arriscar novamente mais um ano, trabalhando no limite da paciência da torcida e contando com a sorte mais uma vez.

As coisas andam muito calmas nos bastidores do Coritiba, para uma diretoria que teve mais sorte que juízo e competência.

2017 será um ano decisivo para o futuro do Coritiba e serão estas mesmas pessoas que comandam hoje o clube, que este ano darão o destino dos próximos 5 ou 10 anos do Coritiba. O próximo ano é mais importante do que se imagina.

Aqui, todos pedem PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, finalmente um clube de gestores. Coisa que nos parece ser condição básica pra qualquer empresa que pense grande e sonho com algo melhor.

Isso tudo é chover no molhado, é repetir tudo o que cansativamente já dissemos, mas que parece ainda não ter sido entendido por dirigentes e conselho.

Senhores do conselho, senhores dirigentes, mais um ano assim, contando apenas com a sorte, as arquibancadas do Couto estarão ainda com menos gente. Número de torcedores cada vez menor a cada ano.

Os jogos da sorte são outros. No futebol ela aprece de vez em quando. Futebol se faz com planejamento, malandragem, inteligência, dedicação, amor, gestão, torcida e dinheiro. Fazer futebol custa caro e por isso não é mais espaço para tentativas e experiências amadoras.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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