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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

O céu e o inferno juntos

Na última Copa do Mundo de Futebol me emocionei com o hino cantado pelo público e atletas. Parecia um desabafo, o momento onde todos podiam falar tudo que queriam. Sem se importar com regras impostas pela FIFA, não havia censura. Não havia regra que impedisse aquela manifestação que nascia na arquibancada.

Parecia estar ali, no Hino Nacional cantado, todo o sentimento sobre todos os temas em discussão no país. Não poderia ser diferente. Afinal, o futebol é parte da vida da gente. A letra cantada do jeito que cantaram, parecia um brado retumbante, os problemas de cada um cantado em coro por um estádio inteiro. Foi bonito.

Desta vez acontece longe daqui. Não será a mesma coisa. Parece que teremos apenas futebol que, desta vez passa longe da política- que agora fervilha ainda mais do que há quatro anos.

Aqui, o futebol veio para ser jogado no domingo. Domingo sem futebol não é domingo no Brasil. E quando cai numa quinta, inventam feriado para deixar o dia com cara de domingo. E assim será na Copa que se aproxima. Dia de jogo no meio de semana, será feriado, pelo menos na hora dos jogos do Brasil.

No domingo, na quinta, segunda terça, sexta... todos os dias serão de futebol, durante um mês.

Devo me emocionar outras tantas vezes com o hino e com a seleção e também com o Coritiba que não vai parar por conta da Copa.

Fui apresentado ao futebol pelo meu pai. Hoje lembrei que já completo a terceira Copa sem ele. Morreu na final da Copa das Confederações, na África.

Estes dias, ouvi alguns cronistas esportivos contando o número de copas que fizeram. Eu tenho 11 com o meu pai. Todas em frente a uma tevê. No máximo a discussão era o canal a ser assistido, sempre juntos. Da eliminatórias ao final de cada uma delas, juntamos muitas histórias assim.

Torcer pelo Coritiba é diferente que torcer pela seleção. O Coritiba veio antes. Quase sempre ao vivo. Este mora no coração e dali nunca saiu. O outro, a seleção, parece namoro de praia que não sobe serra. Dura o verão e depois acaba.

Futebol é amor e paixão. Não sinto ele de outro jeito. Mesmo trabalhando e tendo vivido dele por algum tempo... a relação é assim.

Enquanto o Brasileiro da série B ainda esquenta, a Liga dos Campeões me diverte e me devolve um pouco do futebol bonito que me dá gosto de ver. Que lá no fundo acaba até fazendo mal. Porque se eu já andava chato, exigindo uma qualidade que não vejo mais por aqui, voltar ao rame-rame do Brasileiro, é muito difícil, se insistir em olhar o que os outros andam jogando.

Pior vai ser acompanhar a serie B e a Copa ao mesmo tempo. O céu e o inferno juntos, numa cena pra judiar de quem ainda é chato e exige qualidade.

Do Hino Nacional ao Hino do Glorioso... muda a letra, a melodia, as causas politicas de um país, a qualidade do futebol, mas ninguém nasce Coxa- branca e vive tudo isso impunemente. Perece que vivemos momentos de pura provação, mas vai passar, creio nisso.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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