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ArquibancadaSergio Brandão

O Coritiba de duas caras

Não estive entre os que aplaudiram a contratação de Gilson Kleina, mas também nunca estive entre os que o julgaram. Preferi esperar e confesso, Kleina tem me surpreendido positivamente. Não pelos resultados que ainda não dizem nada, mas pela postura e principalmente pela coerência nas decisões, sem invenções, afinal este time nem permite este tipo de possibilidade.

Durante a pré- temporada, Kleina não se abalou nas avaliações dos resultados diante de Toledo e Foz. Testou como achou que devia e trabalhou sem se importar com seus críticos. Trocou, experimentou, tentou corrigir dentro do material que lhe deram para trabalhar, sem se importar para o que muitos chamaram de “resultados negativos”.

Nas três partidas que teve até aqui, também trabalhou dentro das limitações que o time oferece. Contra o Inter, na estreia da Sul Minas-Rio, foi acertando o time durante a partida. Conseguiu até equilibrar o jogo num pedaço do segundo tempo, mesmo com o Coritiba tendo um time tecnicamente inferior ao do adversário.

Nas duas rodadas do Paranaense, passeou em campo, ainda com alguma dificuldade em alguns momentos. Mas puxou a orelha da zaga, inclusive do homem certo, (Walisson Maia) na principal falha da defesa, logo no começo do segundo tempo na partida contra o Foz. Falha aliás que poderia ter complicado a vida do Coxa com uma comprometedora atrasada de bola de Walisson, que acabou dando trabalho extra para Wilson.

Contra o Cascavel, na primeira rodada, para justificar a goleada, alguns disseram que o adversário foi abaixo da média. O mesmo Cascavel que agora venceu na segunda rodada o PSTC, mostrando um futebol mais razoável e se colocando entre os que vão incomodar mais adiante, pelo menos é a informação dos que viram o time do oeste, nesta segunda apresentação.

Hoje, Gilson Kleina oferece mais munição aos seus críticos: anuncia um Coritiba de novo defensivo para a partida contra o Grêmio, no Olímpico, pela segunda rodada da Liga. Um time mais preocupado em se defender, muito próximo do que enfrentou o Inter na estreia. Provavelmente com a saída de um atacante (Leandro ou Negueba) para a entrada de um meia marcador - provavelmente Alan Santos. Acho que sai Leandro, porque Negueba funcionou bem dentro do esquema proposto, trabalhando como lateral dentro do que propõe Kleina, quando quer o time jogando fechado. Pelo menos foi assim que fez contra o Inter.

Neste caso, só não concordo com o excesso cometido no jogo contra o Internacional. O Coritiba não jogou atrás, jogou covardemente. Com todos os 11 atrás da linha da bola, da intermediária para trás, inclusive Kleber. Sem ninguém em condições de pelo menos ousar um contra ataque.


Muitos se manifestam contrários a este esquema de voltar a jogar fechado. Uma postura de time pequeno, dizem. Guardadas suas proporções, acho que é por este ângulo que precisamos pensar: como time pequeno. Se a pretensão é a classificação para a segunda fase, precisamos arrumar pontos nos jogos fora, para se garantir no Couto. Por enquanto, até agora, jogada apenas uma rodada, está tudo igual e o Coritiba vivo numa competição que é um torneio e não um campeonato, com dois times bem superiores ao nosso.

Cada partida é uma decisão e precisa ser jogada pensando no regulamento. Se voltar de Porto Alegre com mais um ponto, pode muito bem garantir a classificação para a próxima fase com uma vitória em cima do Avaí, jogando desta vez em casa, na terceira rodada.

Kleina e todos nós sabemos das nossas limitações e se jogar pra cima do Grêmio, será “bucha”. Pior, começamos o ano amargando o insucesso, logo na primeira competição nacional, medindo força com os grandes. Deste grupo de 4 clubes na Liga, apenas um garante vaga para a fase seguinte, além do melhor segundo lugar entre as outras duas chaves. Com os pés no chão, sabemos que de uma chave entre Inter e Grêmio, somos zebra.

Já escrevi aqui: o time não oferece muitas variações. Temos duas possíveis. As duas já testadas em oportunidades diferentes. Nas duas partidas do Campeonato Paranaense e em Porto Alegre, contra o Inter. Kleina vai repetir nesta segunda rodada da Liga, também no Rio Grande, contra o Grêmio propondo a segunda opção, a segunda cara deste time. Mais defensivo, mas desta vez imagino que se comporte melhor do que fez na primeira rodada, no Beira Rio.

Meus amigos, melhor que isso, só quando o elenco permitir, e isso deve ser lá na frente, com a chegada de novos contratados que pede o treinador.

O time aos poucos vai ganhando forma. As duas caras que podemos ter: a do Paranaense e a cara que ainda está em construção para uma competição nacional. Sendo esta segunda opção, com as melhoras que inevitavelmente acontecem com os ajustes que ganham em qualidade com os reforços que estão para chegar.

Já temos um caminho melhor que do ano passado. Para quem não tinha nada...

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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