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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

O mal pela raiz

Depois de cada rodada, sou tomado por momentos de profunda tristeza. Depois vem a reflexão e logo a conclusão do sofrimento, me levando sempre aos mesmos responsáveis.

Minha saúde, a convivência com qualidade com a família vale mais. Durmo e coloco tudo numa gaveta que só abro em dias de jogo. Terminado, fecho e volto ao normal. Às vezes me obrigo a uma faxina. Tiro o pó acumulado, jogo fora o que não presta e o que sei que não vou usar mais.

Sugiro o mesmo a todos vocês, se conseguirem e se isso tudo já estiver afetando a saúde de vocês. Só se envolva passionalmente quando tiver forças e principalmente for ouvido. Porque o desgaste está justamente nesta gritaria que a gente promove, mas sem ser ouvido. Porque sequer dão importância para nossas lamentações. Se desligam das redes sociais, não acompanham notícias, não querem saber o que pensamos e o que dizemos. Se fecham em seus gabinetes e ouvem o que lhes é conveniente. Se blindam contra quem se opõe.

Tratam torcedor como um bicho perigoso que não pode passar da arquibancada, como no zoológico. Quando começa a incomodar demais, reclamando muito, ousavam nos chamar para um cafezinho na sede, para nos mostrar como as coisas andam sendo feitas. Ultimamente parece que nem isso fazem mais porque já perceberam que além de ficarem com o cafezinho esfriando na mesa, não nos acalmam mais. Pelo menos não nos acham mais os burros, os idiotas de sempre que se deixaram levar por um agrado. Alguns ainda se prestam a isso, a maioria não.

Deixo aqui a minha solidariedade a todos, judiados pelas coisas internas do Coritiba, que também esperam poder fazer algo, mas são chamados apenas para colocar em dia suas mensalidades de sócio torcedor e em troca poder sentar na arquibancada e ver o que temos visto. Se possível aplaudir.

Parece ser deste espírito abnegado, a última tentativa de tirar o Coritiba desta tristeza que toma conta de sua torcida.

Meu caros, infelizmente não será o nosso amor que vai salvar o Coritiba neste momento. Vamos precisar muito mais deste espírito de indignação. E não será quando estivermos diante das urnas novamente, daqui há três anos.

Parece que vivemos de esperanças a cada eleição. Mas não está nas eleições a solução dos nossos problemas. O problema do Coritiba está nos subterrâneos do Alto da Glória, está na raiz que muitos fincaram lá dentro e pra isso será preciso cavoucar fundo e pagar um preço que talvez seja ainda mais danoso ao clube. O Coritiba precisa ser sacudido como árvore doente, para extirpar todos os frutos podres. Se todos não caírem, será preciso arrancá-la pela raiz. Então, não será com mais uma eleição que teremos nossa redenção.

Quem sabe um dia tenhamos de volta o futebol como prazer, sem perder noites de sono, finalmente, acordando numa segunda-feira, pensando já na próxima rodada porque a vitória daquele fim de semana não poderia ter sido melhor, nos colocando numa situação privilegiada numa tabela onde estão os melhores, com um time jogando o fino da bola. Não custa sonhar, não é? É que já fomos tudo isso, um dia.


Só a partir de um processo maior teremos a depuração, que também vai levar algum tempo, mas é o preço que precisamos pagar por conta dos tropeços de agora e de antes .

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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