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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Obsessão pelo erro

Você saberia me dizer qual é a escalação base do time do Coritiba? Não, né? Quando os treinadores reclamam da falta de sequência de jogos de um mesmo time, geralmente é ou por contusão ou por cartões. Mas no Coritiba não. Também por isso, mas frequentemente pela insegurança, que no nosso caso a zaga ou o meio de campo ou um lateral acaba causando no treinador. Ou até no parceiro ideal para jogar com Kleber na frente. Além, claro, das contusões, cartões e muitos outros problemas que andam nos rondando.

Ceará mais ficou de fora do que jogou. Aliás, uma das esperanças do time, considerada uma das melhores contratações, mais no Departamento Médico do que jogando.

Gonzales veio, entrou, jogou, ainda não fez o que dele se esperava, e já há algumas semanas também não consegue sair do DM e pelo que se sabe o problema é até mais sério: joelho bombardeado.

Juan foi antes das finais do Paranaense, e quando voltou, veio meio boca. Voltou com um futebol longe do que que estava jogando, sendo considerado uma peça importante do time, parecendo ser finalmente o meia que estávamos procurando. É verdade que o nível era do regional, mas era possível esperar algo melhor de Juan. Ou pelo menos mais do que vem fazendo desde que voltou. Nesta rodada contra o Figueirense, esteve abaixo da crítica. Mais atrapalhando do que ajudando.

Curiosamente, contra o Figueirense o time todo volta a ser quase o mesmo, o time mais usado na maioria das partidas, mas longe de ser o time base ou pelo menos o meu time, ou o time que eu escalaria. Lucas Claro e Juninho, por exemplo, não formam a minha zaga. João Paulo não voltaria mais. Meu time seria o que enfrentou o Inter, com exceção de Bareiro, que por conta da expulsão, precisou ficar de fora. Mas seria meu titular.

Lá dentro, nos chamam de cornetas. Prefiro ser chamado de os que olham o time com outros olhos. Os que não vivem o dia a dia do clube, mas que nisso podem ter alguma vantagem do que os que olham com olhos viciados e não enxergam possíveis soluções.

Ou Pachequinho anda recebendo pressão para escalar determinados jogadores, que decididamente não funcionam, ou ainda trás da sua convivência com Kleina alguns vícios que precisam ser vencidos.

Com todas estas dificuldades, não é possível mesmo esperar algo melhor deste time. Pelo menos este que saiu jogando contra o Figueirense. Com problemas mais graves do que podemos supor, fica difícil se desgastar em conjecturas para tentar sequer entender os inúmeros problemas recorrentes que não se explicam.

Tanto departamento de futebol como nos bastidores da política do clube, parecem viver um longo momento de obsessão de assédio de espíritos malévolos. Obsessão por erros, e a persistência neles chegam a níveis injustificáveis.

De quem se espera algo razoável, de quem sempre agiu moderadamente, somos surpreendidos por absurdas decisões e que quando explicadas deixam a justificativa ainda mais inexplicável ainda. Me refiro a Pachequinho em algumas questões.

Este é o Coritiba que temos para o momento: ladeira abaixo, sem que nada se possa fazer aqui de fora porque quem está lá dentro não ouve os gritos da arquibancada. Quem ainda consegue enxergar os problemas, não é ouvido, e quem manda só faz bobagem e deixa o paciente cada vez mais próximo da morte.

Começamos a semana esperando novidades, como sempre. Agora a moda é fazer parte do noticiário com fatos absurdos, inexplicáveis. Assim não há humor que resista.

Há quem já torça para uma derrota com GOLEADA, no atletiba, para que a casa caia de uma vez. Nunca fui adepto desta filosofia de terra arrasada, mas confesso, não sei se agora o caminho não seria este.

Boa semana, meus caros!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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