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ArquibancadaSergio Brandão

PIPE GROHS

Ou Luiz Felipe, o menino lourinho que conheci nos almoços da família, jogando bola entre os adultos, já chamando atenção, com um toque de bola diferenciado. Seu pai, Mauro Grohs, olhava orgulhoso o filho chamar atenção de todos.

Não deu outra, Pipe foi parar na base do Coritiba, seu clube do coração. Por alguma razão, como tantos outros talentos desperdiçados em nosso futebol, não vingou e por conta da vida que foi chegando e cobrando decisões, optou pelos estudos, mas sempre que podia (sempre pôde), se manteve perto da bola, a grande paixão de sua vida.

Quis o destino que na escola, por conta de um amigo, se mantivesse ainda mais perto do futebol. Foi melhor: era um contato muito próximo do futebol profissional. Era um novo caminho que se apresentava, ainda para um menino.

Estudou e colocou seus conhecimentos, seus estudos a serviço do futebol. Como me disse seu pai hoje cedo, Pipe faria o trabalho de graça, se preciso fosse. Mas viveu até o último dia 29, como profissional do mundo da bola. O sonho de um menino apaixonado por futebol estava se realizando.

Pipe se transformou em profissional da área, trabalhando como homem de confiança de Caio Jr, como Analista de Desempenho. Uma função até estes dias, desconhecida para muitos, mas de fundamental importância para o trabalho profissional e para os rumos que o futebol anda tomando.

A paixão de Pipe acabou sendo a sua maior contribuição a o que por muito tempo foi só um sonho. Deixou um conhecimento, um caminho aberto a outros profissionais que ainda se formam no Brasil.

Arábia, Bahia e Santa Catarina, com Criciúma e agora Chapecoense. Estes foram seus endereços nestes últimos anos.

Para estes lugares, estavam os olhos de sua imensa torcida: irmão, seu pai, mãe, avós e tios. Não conto nós, primos mais distantes que acompanhamos a carreira de Pipe não tão de perto assim. É o preço que a gente paga por ter uma família muito grande, que sabe de todo mundo, mas que não consegue se encontrar com frequência.

Aos 25 anos, Pipe não sabia, mas deu mais do que recebeu ao Futebol. Deixou um legado, ainda menino. Pipe morreu sonhando. Queria sempre mais com o que mais gostava de fazer. O futebol lhe deve esta, Pipe! Vá em paz, menino!

Luiz Felipe Grohs voou junto com o sonho da Chapecoense, rumo a uma disputa sonhada por muitos profissionais que vivem do futebol, mas que ficou naquele trágico voo de 29/11, onde sobraram só sonhos. De Pipe ficou uma carreira inteira ainda para ser vivida, mas como disse acima, mais deixou ao futebol do que levou. O futebol está em divida com você, Pipe. De alguma forma vocês se encontram e acertam isso.

Todos nós dimensionamos o tamanho da dor dos mais próximos, mas ninguém será capaz de entender e sentir o tamanho dela.

O mundo ainda vai falar muito sobre tudo isso, mas em alguns dias a vida começa a ser retomada e logo estará dentro do seu rumo natural. Só para os mais próximos, a vida ainda vai demorar para ser retomada.

Deixo a minha torcida pela manutenção da solidariedade manifestada entre rivais vista por estes dias todos por todo o Brasil. Que fique o exemplo de torcidas rivais que se unem em São Paulo, no Rio, em Minas e que também deve acontecer na quarta-feira, quando o Coritiba organiza uma missa ecumênica, no Couto Pereira, onde são esperados torcedores das três torcidas da Capital.


Ao meu querido primo Mauro e Luiz Mauro, pai e irmão de Pipe, minha torcida agora é por vocês. Que encontrem paz para que sigam suas vidas. Ela precisa seguir.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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