Pobre cachorro sarnento!
É verdade que nesta, o cachorro pelo menos até lutou com bravura, mas de tanto que apanhou durante a vida, de nada adiantou. A moral, a autoestima estão tão baixas, que a esta altura, qualquer tentativa de reação parece em vão.
Desta vez foi contra tuto e todos, como foi também em poucas oportunidades. Em outros tempos havia respeito - não era um cachorro sarnento. Agora não. Pode bater, jogar pedra, mal tratar que ninguém se importa.
Torcida contra, adversário bem superior tecnicamente, arbitragem tendenciosa, interesses escusos, CBF, imprensa, tv Globo, técnico etc. etc. etc. Parece não ter nada que mude este quadro. Até o dono do cachorro já dá sinais de estar conformado com tudo isso. Parece ter perdido a indignação com as atrocidades e violência cometidas contra o seu pobre animal.
O coitadinho virou cachorro daqueles que acaba na carrocinha e depois vira sabão. Para as crianças que assistiram seu fim, fica uma história mal contada, de que virou mais uma estrelinha, como o vovô, lá no céu. Mas a gente sabe que não vira estrelinha.
Aliás, a única estrelinha que carregava do lado esquerdo do peito, também foi chutada como ele. Estrelinha mesmo ele viu depois de cada uma das surras que tomou quando se meteu a conviver com uma matilha poderosa, da rua de cima.
Nesta vida que entra agora em fase terminal, lhe resta um pouco de umbral. Onde precisa fazer o que ainda não fez e parece impossível.
Já não sabe mais se salva das novas surras que devem vir pela frente, ou encara tentando se impor. Na verdade não lhe resta outra opção: precisa encarar o aprendizado e tentar se redimir, tentando fazer o que ameaçou, mas não fez até agora.
Ou toma a última paulada na cabeça, e sem piedade a morte lhe carrega para o fim definitivo, ou vai pra briga.
Seu último suspiro até deu um pouco de alento, uma última esperança, dando a entender que existe vida após a morte. Foi o que lhe restou.
Pobre cachorro sarnento!
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (60)
