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ArquibancadaSergio Brandão

Pois que venham os gringos!

Não dá pra falar dos gringos sem antes passar pelo registro da partida de ontem contra o Foz. Como contra o Cascavel, não esperava outro resultado que não fosse a vitória, ou pelo menos que apresentasse um futebol mais convincente que os anteriores daqueles que vimos ano passado, e até agora na fase de preparação, na pré- temporada.

Mesmo que se leve em conta os problemas de saúde que viveu na véspera da partida o time do Foz- com oito registros de intoxicação alimentar - com dois deles ficando de fora do jogo e com o restante do time indo pro sacrifício. Ainda assim, dá pra eleger a rodada de ontem, na fronteira, como mais um bom jogo teste. E mesmo assim, tomamos algum susto, coisa que não pode acontecer e mais uma vez é bom lembrar a boa e velha máxima, a rainha da cautela: contra uma equipe mais qualificada, teremos problemas sérios. Foram erros crassos em saída de bola, passes errados e com alguma desatenção na marcação.

Mais que tudo isso, fico com o grande saldo positivo desta história, que é o que vem fazendo Kleber, revivendo seus melhores dias de gladiador, com três gols na partida, já como artilheiro absoluto do campeonato, com apenas duas rodadas e 5 gols.

Não é preciso dizer a esta torcida, sempre muito crítica, que ainda é cedo. Aliás, este é o discurso cuidadoso que se faz dentro do próprio clube, e que cabe muito bem para este momento. É cedo porque o campeonato mal começou e Kleber precisa de mais rodagem, ganhar mais ritmo e condicionamento. Mas já tira um grande peso das costas deles e da nossa. Alivia as tensões e deixa o grupo trabalhando com menos cobrança. Já é possível dizer que temos um começo melhor que o do ano passado. Pouco se a gente levar em conta que o time é praticamente o mesmo,é verdade, mas vale mais uma vez esta lembrança.

Acho que ainda teremos muita alegria com Leandro, Kleber e Negueba. Parece que os gringos que estão para chegar, vão ter que trabalhar mais do que esperavam, se querem chegar vestindo a camisa de titular. Bom para nós, bom para o Coritiba. Todos ganhamos.

[t]GRINGOS[/t]

Pra fugir do padrão chato, crítico da torcida alviverde, não me meto a tentar avaliar as contratações anunciadas pela imprensa, do argentino Luciano Acosta e do paraguaio Jorge Ortega. Luciano meia atacante e Ortega centroavante.

O paraguaio Ortega chega com mais autoridade e vem num momento bom, quando o ataque Coxa parece dar mostras de não ter ninguém querendo sair, nem Negueba, Kleber e Leandro. Ortega vai ter que mostrar nos treinos e nas oportunidades que tiver o seu instinto de goleador. Já o argentino Acosta, chega com ares da soberba portenha, apenas com o peso da camisa do Boca Jr, mas sem futebol para chegar desbancando o dono da posição, de ser o 10 que há tempos clamamos. Com característica de meio campo, vindo de uma das maiores forças do futebol Sul Americano, nome e peso ele tem, mas por lá ainda não vingou. Dizem ser um bom jogador de banco.

Se as duas contratações se confirmarem, e pelo andar das coisas isso acontece durante, ou logo após o Carnaval, acho que no mínimo, estes dois, com o sangue quente do futebol sul-americano, colocam fogo neste time. É deste espírito que precisa o Coritiba. De algo que lembre o velho e bom futebol argentino e paraguaio, da pegada, do tesão de disputa, de vestir e honrar a camisa do clube que paga seu salário, com sangue a flor da pele.

Do meia Dreyer, nos anos 70 a Ariel Naelpan, e de outros argentinos e paraguaios que por aqui passaram, tivemos tantos nomes neste meio de caminho. A maioria marcou com este espírito guerreiro. Uns mais, outros menos. Alguns não vingaram e ficaram no meio do caminho.Mas todos justificaram, ou pelo menos tentaram justificar suas contratações. Este é o jeito argentino e paraguaio que muito me agrada e acho que cai bem neste time do Coritiba, neste momento.

Sei muito pouco dos dois. Vi alguma coisa, mas como todos vocês, nada de mais, coisa de internet, vídeos preparados para venda do produto. Parece que compramos.

Acho melhor arrumarmos paciência. Melhor que isso não teremos mais. Suponho que estamos falando de uma contratação ousada da diretoria Coxa. Não sei em que valores os dois chegam, mas sei que Ortega estava sendo sondado por outros clubes. Por isso, mérito e ponto para a diretoria que atende uma grande necessidade.

Com um pouco de sorte, ainda neste Paranaense, quem sabe voltemos a sonhar com o título e tenhamos um Campeonato disputado em bom nível, quando os atletibas eram a tônica, com clássicos inesquecíveis de disputa do títulos estaduais.

Parabéns meu caro Kleber. Seus gols e sua vontade de acertar nos bastam. Nesta média começamos a pensar numa estátua também para você.

Sejam bem-vindos Acosta e Ortega!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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