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ArquibancadaSergio Brandão

Processo burro!

Tá certo que tem treinador que abusa do direto de errar. Mas quem é mais teimoso ou chato, o treinador em suas armações mirabolantes ou o torcedor que sem paciência sempre que o time engata numa série de derrotas ou de insucessos, logo pede a saída do técnico?

Parece que a resposta está na pergunta: os dois e ainda a cultura do futebol. Apenas alguns clubes conseguem manter seus treinadores por muito tempo, mesmo em períodos de derrota, mas poucos resistem a estes mares revoltos.

Neste caminho que toma o futebol, o ciclo se fecha com um final nunca feliz. Os treinadores pedindo indenizações espetaculares aos clubes onde são chamados a trabalhar e depois demitidos. Com estas rescisões, alguns fazem caixa até para duas ou três gerações de sua família.

Não é necessário citar aqui alguns nomes já conhecidos por todos, muitos até com trabalhos dignos, até de respeito em muitos clubes por onde passam, mas muitos sabidamente usam esta tática cruel de empobrecer ainda mais os clubes já endividados até o pescoço.

Se de um lado temos treinadores que pedem dinheiro alto pelo seu trabalho, do outro lado temos dirigentes que em todos os contratos preferem fazer de conta que não sabem que aquele acordo é na verdade um grande risco. Topam assinar contratos longos, mesmo sabendo que se houver pressão, não terão outra saída a não ser demitir o treinador contratado, e empurrar com a barriga a multa rescisória, que muitas vezes, se for paga, será pelos dirigentes que vierem a seguir.

De uma lado estão os treinadores com seus projetos longos, que francamente muitas vezes não fazem sentido. No meio os dirigentes que se fazem de bobos aceitando exigências absurdas e na outra ponta o torcedor impaciente, que se em cinco rodadas seu time não render , estará pressionando a saída do treinador.

Com esta cultura do imediatismo instalada há anos no futebol, não há mais porque se manter projetos de longo prazo para manutenção de comissões técnicas por mais de um ano, seis meses ou até de 3 meses. Isso é assunto para um outro departamento. Exemplo dado pelo Coritiba, quando trouxe João Paulo Medina, e que só não deu certo porque os bastidores do clube estavam fervilhando naquele período. Agora, com os “indomáveis” mais calmos e no seu devido lugar, quem sabe seja o momento para retomar a ideia.

Não dá mais pra aceitar estas conversas de saída de treinador magoado a cada demissão, como também não dá mais para aceitar estes longos contratos com suas comissões técnicas, impostas pelos “professores”. Isso não pertence mais ao futebol, especialmente ao brasileiro, país onde mais se demite treinador.

Ou abrem um departamento que seja de exclusividade para estruturar o futebol dos clubes, e chamam os treinadores mais próximos do perfil do que cada um quer, e com isso tiram a argumentação de montagem de estrutura ao departamento de futebol, usada muito pelos treinadores quando chegam. Logo que se apresentam, vão logo anunciando que seu projeto é para mais de um ano ou coisa assim. Isso não serve mais ao futebol brasileiro.

Ou teremos eternamente os clubes cada vez se afundando para pagar estes contratos absurdos pedidos por estes profissionais caros e fora da realidade financeira dos clubes.

Se todos sabemos que a vida do treinador em média é curta, porque insistir em contratos longos? Se sabemos que estes projetos propostos por eles nunca são executados, por que assinar longos contratos?

A realidade do futebol no Brasil é de resultados. Não venceu, não aprovou cai fora.

O processo me parece um pouco burro e bem viciado. Esta é uma das muitas questões que também precisa mudar.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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