Profetas do apocalipse
O número mágico ainda são os famosos 42 pontos, mas apenas como referência, porque isso é muito relativo e já tivemos anos em que o último classificado dos 4 que caem, fez menos que isso.
Entre torcedores do Coritiba o exercício começou mais cedo que em anos anteriores. Os profetas surgem de todos os lados. Há os que anunciam Joinville, Coritiba e Vasco como já rebaixados. Caso do ex-jogador Neto, ao fazer esta previsão num programa de tv, estes dias. Também já estão por aí, os derrotados de qualquer circunstância. Falou em derrota é com ele mesmo. Já se apresenta levantando a mão como primeiro voluntário. Geralmente é aquele que entra no campeonato já fazendo contas para não cair, mesmo antes da primeira rodada. É preciso reconhecer que este ano foi assim no Coritiba. O Campeonato Regional já prenunciava a tragédia. E não foi por falta de aviso, aliás, acho que neste momento é o que mais irrita a torcida.
Com todos os agravantes, com números otimistas, pessimistas, falta de qualidade, má vontade, administração amadora, os que mais me irritam são os profetas do apocalipse.
É o cara com o perfil que parece não ter nem um amor pelo clube que escolheu torcer. Pelo contrário, parece que torce contra. E na verdade torce contra mesmo. Só que nem ele se dá conta disso. Torce contra uma diretoria, contras alguns nomes, coloca acima de tudo a raiva, a ira por pessoas. Tudo isso acaba se sobrepondo ao amor pelo clube.
Temos duas questões importantes neste momento. Na iminência de ser rebaixado (mais uma vez), agora, este ano, não temos tantos motivos mesmo para acreditar que escapemos, porque o material humano que nos deram não dá esta confiança. Tanto que quando surgem os Iluminados como Evandro, logo nos agarramos e apostamos que nele está a nossa salvação. Pelo menos é o que queremos, mesmo com rompantes de lucides que nos trazem à realidade e nos mostram que as coisas não são bem assim, ou que pelos menos não deveriam ser.
Que a nossa situação é a pior de todos os últimos anos, sabemos todos. E também sabemos por que estamos assim. O Coritiba em campo, é o reflexo da administração que tem. Na verdade há anos é o reflexo de suas administrações.
Pena ter que discutir isso justamente agora, num momento de comemoração do maior título conquistado nestes mais de 100 anos de história. Mas é o Coritiba que nos deram neste momento, é o Coritiba que temos.
A segunda questão é separar todas estas constatações da instituição Coritiba e ver o que cada um pode fazer. Não se trata de mais uma vez jogar a responsabilidade nas costas da torcida. Não nos resta outra saída a não ser recorrer mais uma vez a ela.
De pessimistas, de energias ruins já bastam as que circulam lá por dentro. Precisa vir da arquibancada o algo mais, a única força capaz de tirar este time deste buraco que se meteu.
Depois disso, levantar mais forte e tirar esta gente que como erva daninha trouxe o Coritiba nesta ladainha de anos de atraso. De nada adianta apenas o discurso, o Coritiba precisa de gente que faça algo de bom por ele. Que trabalhe pela instituição, não se beneficie dele.
Vamos tirar o Coritiba deste buraco, depois tiramos lá de dentro, esta gente que nos afundou nesta lama.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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