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ArquibancadaSergio Brandão

Remédio amargo

Parece não haver outro caminho que não seja os pés bem firmes no chão. Estádio novo, times campeões, com estrelas, são o caminho que o Coritiba não pode fazer nos próximos 3 anos.

A dívida anunciada de mais de 200 milhões, não deixa outra alternativa que não seja primeiro arrumar a casa. Ao novo presidente nao será mais permitido o erro. Nem torcida e nem o clube suportam mais novo desastre. Não temos mais idade e talvez nem mais oportunidade para errar de novo.

Acabou a paciência. Não temos mais fôlego para tentar competir com os grandes, até porque nos últimos anos a falta de talento administrativo mostrou que nosso lugar agora é outro. Nossos dirigentes colocaram o clube diante desta situação muito difícil mas de onde ainda é possível sair. Mas parece que de agora em diante será preciso fazer o caminho inverso do que fizeram até aqui.

Gestão administrativa é a palavra que precisamos ouvir neste período eleitoral. Quem disser o contrario, estará andando pela contramão. E quem trabalhar contra, pode levar o clube ao total descontrole administrativo e a sua consequente ruína. Se insistirem em administrar o clube da forma irresponsável como fizeram as últimas administrações, especialmente as três últimas, o Coritiba caminha para uma situação irreversível.

Sem estádio novo, mas colocar o Couto em condições de uso, adequando e dando conforto ao torcedor. Montar um time competitivo, mas sem gastos com contratações absurdas. Valorizar a base, dando a ela oportunidade e expectativa dentro do próprio clube. Esta parece ser a receita para a paz reinar entre dirigentes e torcida. Difícil, muito difícil fazer isso sem dinheiro. Mas é preciso achar o nome que deve trabalhar com este propósito a partir do ano que vem.

Parece que estamos diante de uma eleição histórica. Não será mais uma entre tantas que elegeram presidentes que fizeram história, quando nos deram um estádio - na época invejado em todo país, times com jogadores e treinadores disputados pela elite do futebol. Foram tempos românticos, mas que ficaram na história. Não somos mais tudo isso. Ficamos para trás e a retomada será difícil. Não será com mágica que voltaremos a ser grandes. O Coritiba precisa ser pensado modernamente, mas para isso primeiro temos um preço a pagar.

Austeridade, muita dedicação e competência parecem ser predicados que precisam fazer parte do perfil do novo gestor do clube. Teremos anos ainda mais difíceis, caso o bom senso administrativo reine. Porque só assim, o Coritiba pode ser colocado nos trilhos.

Não é mais possível acreditar em salvadores da pátria. Sugiro que não comprem conversas salvadoras, soluções mágicas e espetaculares.

O Coritiba está doente e precisa de remédio. De gosto amargo e de uso continuo, provavelmente até o fim de seus tempos.

Os próximos anos devem ser ainda mais difíceis, se dermos sorte de cair em mãos responsáveis. A nossa saída está em primeiro lugar pagar o preço e reconhecer os erros das incompetências anteriores.

Assim como o país, precisamos de responsabilidade e competência, com respeito pelo nosso passado e nosso futuro.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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