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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Resta o sentimento pelo pior

Mais um daqueles resultados ruins que vão largando esperanças pelo caminho. As esperanças dos persistentes como eu, e toalhas de lutadores que vão sendo jogadas no canto do ringue por quem conseguiu chegar até aqui, ainda acreditando em dias melhores, mas na verdade faltando apenas o nocaute para acabar com o combate.

Bravos lutadores/torcedores que, por alguma razão acreditaram. Agora, sucumbem ao último e melancólico ato de uma tragédia anunciada.

Junto vai também um sentimento de medo, do que ainda pode vir. Porque de agora em diante vai restar apenas o discurso da dignidade, da honra e do respeito que não tiveram antes, quando nos disseram que subir era a prioridade número um. Isso lá pelo começo do ano. Nunca foi prioridade, não foi em nenhum momento ou não souberam como fazer. Mas mesmo assim, erraram quando não aceitaram ajuda de ilustres coxas, quando se dispuseram.

Dirão agora que é preciso honrar o nome da instituição, de homens com vergonha na cara... este será o discurso a seguir.

Mesmo que agora não resolva mais chorar o leite derramado, mas alguém precisa responder e ser chamado à responsabilidade.

Para antes do início do próximo ano, será preciso achar uma saída e se possível com alguma dignidade. Que nos devolva pelo menos um pouco do orgulho perdido já há alguns anos e exterminado e liquidado a golpes cruéis em 2018, ontem com o tiro de misericórdia.

2019 promete ser pior e mais difícil ainda. Vale lembrar que se com dinheiro este ano foi ruim, pobre e sem dignidade, o ano seguinte será ainda mais difícil. Por isso, se não mudar a forma de gestão, caminhamos para o fim da instituição. E é aí que mora o grande problema. De nada terá adiantado o sacrifício financeiro de 2018, precisando fazer mágicas no ano seguinte, para não deixar acontecer o pior.

Sem carisma, nem tentando ser simpático, Samir vai queimando o que lhe resta de alguma credibilidade que talvez ainda pudesse ter com meia dúzia de fiéis escudeiros.

Sem carisma, sem dinheiro, sem torcida, com o G5 em vias de rachar, não consigo vislumbrar algo melhor para o nosso futuro, diante de um quadro sofrível que leva junto o que restava do Coritiba ainda no começo de 2018.

Neste ritmo e se as coisas não tomarem outro rumo, corremos o risco de ter apenas uma história gloriosa para contar, mas de um passado já bem distante.

É com este espírito, tentando manter o que resta de humor e bom senso, que teimosamente insistimos no Coritiba.

Uma das nossas tentativas pode ser vista ou lida, no livro que lançamos na quinta-feira da semana que vem (25/10), no Centro de Estudos Bandeirantes, na rua XV, entre a Mariano Torres e Tibagi. Apareça, temos no mínimo uma história em comum pra ser contada. Vai valer a pena lembrar que um dia tivemos time para torcer. Muitas histórias, em formas de crônica, estão neste livro “Coritiba ... futebol, paixão e história (s)”. Dia 25/09 a partir das 18 hs.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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