Resta um pingo de respeito
Hoje, Ruy é melhor que muitos titulares no Coritiba. Tudo bem, futebol tem destas coisas. O cara que não serve hoje, pode ser a solução amanhã, mas na base isso não pode acontecer. A base precisa ser vista com outros olhos. Olhos de futuro e também financeiros. Só ela é capaz de perpetuar um clube. Quem trabalha na base, precisa enxergar coisas que o resto do departamento de futebol não enxerga.
O menino sub 17 ou de categoria inferior, com menos idade, geralmente procura fazer seus primeiros testes no clube de coração. Se for reprovado e tiver algum talento, e ainda contar com apoio em casa, segue – às vezes com uma longa caminhada de testes pela frente.
Certa vez conversei com o pai de Nilmar, artilheiro e atacante, hoje no Internacional de Porto Alegre, com longa passagem nestes últimos anos pelo futebol espanhol.
Com o mesmo nome do filho, seu Nilmar me contou que foram anos de testes, primeiro no Bandeirantes, onde nasceu o menino, depois no Matsubara. Numa taça São Paulo, foi visto por alguém do Inter (onde começou a carreira). Mesmo sem dinheiro, o pai bancou a estada do menino por lá. Primeiro ficou no alojamento do clube e depois foi para um aparamento, alugado por ele. Seu Nilmar fiscalizava de perto, o pessoal do Inter também. Assim nasceu Nilmar, cuidado e carregado pra cima e para baixo, coisa que nem todos os clubes oferecem. Hoje, o Inter é o que vemos. O Coritiba também. É como seu Nilmar, como o Inter que se cuida de suas crias.
Ruy não comemorou o gol que fez contra o Coritiba, no domingo, cena não muito comum no futebol. Digna de respeito. Só por isso, este menino merecia mais uma chance com a 10 que tanto procuramos e ainda não temos. Quem sabe o amor e o respeito que Ruy ainda nutre pelo Coxa, seja capaz de colocá-lo como a solução para o nosso principal problema. Sim, porque outros já tiveram esta oportunidade e não resolveram. Quem sabe seja do amor de Ruy que mais precisamos.
Estamos numa “draga” tão grande, que chego a acreditar mesmo que a solução seja por um caminho destes, que só nos absurdos do futebol encontramos explicação.
Sem amor, mas com a dedicação e a vontade de Ruy, foram muitos e serão vários nestes próximos anos, se o trabalho em nossa base continuar sendo mecânico, sem uma atenção especial que o assunto merece.
Até nosso principal rival, o A. Paranaense faz isso melhor. É verdade que nunca em beneficio próprio, sempre pensando em seu resultado financeiro, mas já é um clube com tradição na revelação de base. Pelo menos revela muito mais do que nós.
Agradeço o respeito de Ruy em não comemorar seu gol, feito no domingo. Aquela altura da partida já tava mesmo muito doído ver aquela festa em nossa casa.
Ruy é só um exemplo. Tudo bem, não é um craque, mas como disse acima, é melhor que muito cabeça de bagre que temos em casa e o amor que demonstrou pelo Coritiba, já é um bom começo para reatar suas relações com o Coxa.
Que os bons ventos o tragam...o receberemos de braços abertos, Ruy. E que com a camisa do seu clube do coração, você possa comemorar muitos gols neste brasileiro.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (0)
