Sabino
Atletas que além de conseguirem competir em alto nível, foram de uma regularidade impressionante durante anos. Numa época onde o futebol se fartava de atletas do mesmo nível ou até melhores. Foi num período que a vida era outra e o futebol também. Principalmente nestes anos dourados do futebol em 60 e 70. Antes disso, nos anos 50, o futebol ainda conquistava espaço como o melhor programa das tardes de domingo das famílias brasileiras.
Se firmou e ganhou corações, formou torcedores mais adiante - nos anos 60 e 70. Período que o país produziu craques que o mundo inteiro reverenciou.
Por isso, Zé Roberto, Krueger, Kosilek, Passarainho, Lucas, Leocádio, Fito, Hélio Pires, Nilo, por exemplo, não chegaram à Seleção Brasileira. Era muita gente boa para pouco espaço.
Os anos se passaram e o futebol foi perdendo a capacidade de produzir estes talentos por razões já exaustivamente discutidas.Mas o sangue do futebolista brasileiro ainda vive. Na na torcida e na produção de alguns raros talentos. Muitos deles, ou a maioria, tomando o caminho do futebol dos dólares petrodolares e dos euros.
Por aqui ainda restam talentos que nos dão as alegrias nestas tardes de domingo e das noites de quarta-feira, mesmo em tempos de pandemia, onde já não podemos ver tudo isso de perto, sentados numa molhada ou gelada arquibancada.
A saudades disso tudo é tão grande que hoje já abro mão do conforto da poltrona de casa para voltar a sentar nas arquibancadas do Couto.
Hoje com o Sabino tomando lugar dos nomes citados acima. O nosso homem gol, o artilheiro da temporada. O mesmo zagueiro que também tira a bola quase de dentro quando Wilson já está batido.
Os mais exigentes dirão que não faz mais que a obrigação. Está lá para isso mesmo. Sim, mas não estamos falando de Fedato, Nico, Bequinha, Heraldo, Gomes Vika etc. O nome em questão é Sabino, zagueiro Coxa, dos anos 2000. Sobrevivente de um futebol chamado decadente, desprezado no Santos e que no Coritiba encontrou sua glória. E neste momento, isso basta para que os olhos cresçam em cima de nosso zageiro-artilheiro.
Sabino parece ter identidade não só com o Coritiba, mas com a torcida. Ao final da partida contra o Sport, saiu enaltecendo o grupo, o conjunto, mesmo tendo sido o homem do jogo por várias razões como o principal jogador em campo, não só contra o Sport, mas nas recentes partidas do Coritiba.
Do alto da sua humildade, parece conseguir manter a cabeça no lugar e manter a regularidade, mesmo que os elogios exagerados já o apontem como atleta de Seleção Brasileira.
O pobre futebol brasileiro que sobrevive graças a talentos como o de Sabino, ainda tenta se entender como lidar com o surgimento inesperado de jogadores assim.
E é preciso aprender rápido, para não estragar estes nomes que surgem raramente em nossos clubes.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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