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ArquibancadaSergio Brandão

São Wilson

Venho insistindo no entendimento do milagre e da sorte. Parece que na há situação melhor que esta pra exemplificar.

Mais que sorte temos goleiro. Que de defensor também já foi artilheiro, como naqueles pênaltis na sul-americana, ano passado.

Sobra muito pouco pra falar de Wilson. Mais apropriado agora parece ser agradecer. Além das defesas que fez, ainda pegar dois pênaltis na mesma partida é para entrar na história do clube.

Wilson já merece uma estátua ao lado de Krueger. Se não for isso, pelo menos o respeito de todos.

Semana passada já dedicava a ele um grande parágrafo dizendo que esperava o mesmo espírito de luta nos demais atletas. Parece que fui atendido. O grupo encarnou o espírito do nosso arqueiro.

Os quase 100 minutos desta histórica partida contra o Sport, me deram a impressão de que todos eles acreditaram o tempo todo que vencer era possível. Werley disse no intervalo que o Coxa foi a Recife pra vencer. Naquele momento achei ousadia dizer aquilo. Não foi. Ele estava certo. Nós é que estamos mal acostumados e desacreditados.

Coritiba 4 a 3 no Sport na Ilha do Retiro, nos devolve um pouco da autoestima perdida.

Nos dois pênaltis me ajeitei na cadeira pra defender junto com Wilson. Que certamente também teve outras tantas milhares de ajuda, secando Diego Souza nas duas cobranças. Na segunda me enchi de esperança acreditando que um pontinho já estava de bom tamanho.

Voltar pra casa com três pontos e ainda com esperança renovada, era apenas sonho de torcedor. Passava longe das minhas expectativas. Só São Wilson mesmo pra fazer disso uma realidade.

Sair da ZR nesta rodada não devia estar nos planos de ninguém. Acho que nem do mais otimista Coxa-Branca.

A sensação é aquela do cachorro quando cai do caminhão de mudança: quando vimos vencemos, fizemos 4 gols e acordamos fora da ZR. A Ponte venceu e o Avai empatou e mesmo assim estamos fora. Milagre ? Sorte? Não importa.

A batalha continua. Uma nova decisão nos espera. E só com o
mesmo espírito de São Wilson sairemos mais uma vez vencedores. Não há outra alternativa.

De pesadelo ao sonho e agora quase uma realidade.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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