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ArquibancadaSergio Brandão

Se os deuses permitirem...

Em nova parada, agora de dez dias, o Coritiba retorna no próximo sábado, às 18h30 jogando em casa, num confronto direto com o Figueirense. Pela enésima vez, com o retorno do time, junto também temos o retorno da esperança de algo novo, mas que sabemos é quase improvável, tamanho o número de vezes que também parou, trocou, ensaiou e quase nada mudou. Apenas na cabeça dos mais otimistas é possível admitir algo melhor do que se viu até aqui.

Num trabalho de requentar a notícia, a Tribuna do Paraná, na edição de hoje, lembra a trajetória Coxa desde o início do ano, quando o discurso era de aposta na base. Não vingou e todos aqui sabem muito bem porque. Além da sorte que não ajudou, o projeto foi mal executado. A aposta do comando era que o trabalho seguinte, depois do vice campeonato brasileiro no sub-20, seria só de colocar a mesma turma em campo, comandados pelo mesmo treinador, e como num passe de mágica tudo se acertaria. Não foi assim, tanto que mesmo no regional vimos desastres inesquecíveis.

Passaram-se 6 meses e ainda sem que se saiba porque, os comandantes do clube insistem no que para todos já parecia bem óbvio.

O barato acabou custando caro, pagando um preço muito alto até hoje, agora muito mais pela teimosia, porque as apostas ainda são em nomes que a maioria de nós sabe que não vão resolver problemas crônicos do time. Sabemos que enquanto não vier um zagueiro de peso, um meia e um atacante, o time e a torcida não se livram do sofrimento.

Por isso, nos resta mais uma vez acreditar que os deuses do futebol entrem em ação, fazendo cabeças de bagre entenderem o que é preciso fazer em campo. Ou seja, ensinar jogadores maduros, o que deveriam ter aprendido na base, quando começaram suas carreiras.

O fundamento do futebol que não será aprendido se antes dele não houver talento.

Jogar futebol é uma arte, como dominar um instrumento musical ou como ter voz para cantar. Quem não canta desafina, que não toca violão apenas admira. Quem não sabe jogar bola, não joga. Ou a pessoa nasce sabendo e aprimora, ou não vai aprender nunca. Se insistir, será sempre um atleta ou músico no máximo aplicado, com grande possibilidade de erros no decorrer de sua carreira.

Chega de amadores, chega de teimosia. Só com a sorte não subiremos. O Coritiba precisa de profissionais com qualidade que nos coloque no mínimo em condições de igualdade com os outros times que lideram a série B. É o mínimo que se espera para 2018.

Quanto a sábado contra o Fiqueirense, por mais otimista que eu seja, não consigo imaginar nada além de novo sofrimento, igual ou pior que os últimos jogos que estamos fazendo em casa. Aos 15 do segundo tempo, devo estar torcendo para o tempo correr e o árbitro acabar logo, com um a zero a nosso favor... se assim os deuses permitirem.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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