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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Sério que Robson é o seu craque do jogo?

No meu time, jogador voluntarioso tem lugar, sim. Jogador que respeita a camisa e dá o sangue em campo, eu respeito.

Este perfil tá em extinção no futebol. O torcedor tá cheio de ver altos salários, chinelinhos tirando dinheiro do clube, juntando dinheiro pra assegurar a aposentadoria.

Não é todo jogador que ao ser substituído, porque deu o seu melhor em campo, que sai aplaudido pela torcida.

Na minha época, também de jogador de futebol, mas de rua, das inesquecíveis partidas de bairro contra bairro, ou do pessoal da rua de cima contra o pessoal da rua de baixo, este cara era chamado de grosso, mas porque era raçudo, então tinha lugar no time.

Quem mandava no time, geralmente o mais velho, chamava o grosso pra proteger a defesa ou pra ser mais um beque pra quebrar a bola. Geralmente era o cara que saia todo esfolado, porque dava a alma, salvava bola em cima da risca, saia de mano com o craque do time adversário e às vezes até ganhava uma disputa de bola ou outra. Ninguém nunca ousou reclamar dele porque sempre se doou muito mais que os outros, mas sempre foi o zagueiro ou o volante, mesmo quando jogava contra patrimônio. Até foi tentado no gol, mas não deu certo.

No meu time de adolescente tive vários desses. Foi com o Celso, o Mário, o Marcos e o Adalberto. Lembro bem de cada um.

No Coritiba tem o Robson. Também voluntarioso, roubador de bola, mas é atacante. Sem pontaria, erra o gol, passa errado acerta a arquibancada ao invés do gol adversário. Acerta mais a trave que dentro do gol.

Quem sabe Robson possa ser testado em outra posição. Perdemos um atacante, mas ganhamos um volante ou até um zagueiro? Porque no futebol que tenho na minha cabeça, não dá pra aceitar apenas um jogador que vista a camisa, o voluntarioso. Isso é pouco. Tem pelo menos que dominar os fundamentos de sua posição. Dá pra admitir chutão de um zagueiro ou volante para afastar o perigo que ronda sua área, mas de um atacante tentando o gol, não.

Com pouca inspiração no meio e no ataque, o Coritiba ainda não pode se dar ao luxo de se contentar apenas com voluntariedade, precisa de qualidade.

Nossa régua para avaliações, anda medindo em centímetros. Precisamos avançar alguns metros. Chega de miséria.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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