Somos chatos, exigentes...
Parece que este ano não será diferente, pelo menos na previsão dos finalistas. Os dois devem estar entre Coritiba, Paraná, Atlético, Londrina ou Operário. Claro, eu sei, não há nenhum mérito na previsão. Mas é que esta “mesmice” também já encheu. Um campeonato previsível, sem chance para surpresas. Às vezes elas até surgem no meio do caminho, mas de tiro curto.
E assim é há anos. Desde que o Coritiba conseguiu acumular os títulos seguidos, perdendo os dois últimos anos entregando ao interior, motivado por crises internas que determinaram o rumo do campeonato, o regional tem sempre a mesma cara. Com o descaso do Atlético, disputando os últimos com o sub 23, a coisa perdeu mais graça ainda.
Estava sendo como tirar doce da boca de criança e mesmo assim, onde o perigo morou e o Coxa não se deu conta, preferiu curtir com a cara dos perdedores. Caso dos atletibas, por exemplo, ganhando quase todos que disputou, mas isso não garantiu nenhum título, pelo menos nos dois últimos anos.
A verdade é que o Regional é um, e o atletiba é outra coisa, com outro nível de importância. Parecem dois torneios, embora um aconteça dentro do outro. Mas vencer atletiba tem mesmo um sabor diferente, é uma outra disputa, que lá na frente, acaba sendo mais um que vai pra conta, sem direto à troféu. Fica o sabor de vencer um clássico e isso importa muito.
Mas até isso aproveitamos mal. Era para se espertar, crescer e deixar a diversão mais para frente, para outra hora. Mas os dirigentes Coxa entraram no embalo da torcida e preferiram a “zona” de conforto, achando que seriam eternos nas conquistas. Relaxaram tanto que o regional serviu como parâmetro e erraram feio nas últimas avaliações para montar os times para o Brasileiro dos últimos anos.
Fizeram o clube despencar na avaliação da média nacional. A cada ano foi piorando. Ficou abaixo da linha da pobreza, e hoje junta os cacos, pagando dívidas, montando times possíveis, e não mais o dos sonhos.
Ainda assim, quando mete 4 na estreia do regional, reclama da qualidade porque sabe que além da obrigação da superioridade, ainda assim, cometeu erros que se fossem cometidos contra um time mais qualificado, a história poderia ser outra. Estamos mal acostumados e sabemos que não é preciso ser profundo conhecedor de futebol para perceber que do jeito que está, vamos apenas repetir os erros já sabidos.
Tem os que gostam de fazer um outro caminho, preferindo viver dos resultados, com vários argumentos que justifiquem o sentimento de esperança.
Vencer, seja quem for, é sempre mesmo muito bom. Recupera a autoestima, nos devolve um pouco do orgulho perdido nestes tropeços das últimas administrações.
A grata satisfação de ver um Dudu a caminho de se tornar o craque que sonhamos, é da nossa história, mas como foi com Rafael Lucas, como foi com Evandro, sabemos que a idolatria pode colocar tudo a perder. Nem Zé Rafael, nem Dudu... em nenhum deles deve estar a esperança de dias melhores, se a cobrança não passar primeiro pela mentalidade amadora dos dirigentes. É onde a primeira mudança precisa acontecer.
A angústia por um salvador da pátria é tão grande, que nesta expectativa se foi Rafael Lucas, quase perdemos Evandro, quase perdemos Dudu (que agora serve) – “mas desde que faça algo já” – diz a torcida. É assim que funciona a torcida Coxa. Nos fizeram assim, fomos educados assim. Somos chatos, exigentes, só que erramos o endereço, cobrando de quem ainda não está pronto para nos dar algo em troca.
Minha gente, Dudu é apenas um bom jogador de bola - com um pouco de boa vontade - até um pouco acima do que temos hoje na média nacional -, mas não é um craque salvador. Pode até virar um deles mais adiante, mas não agora. O salvador da pátria está pronto, em algum lugar que a diretoria precisa buscar, não está entre nós, pelo menos por enquanto.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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