Sopa indigesta!
Primeira conclusão foi tentar fazer uma leitura melhor da Seleção Brasileira, situação pouco comum, que carrega ainda outros ingredientes que deixaram esta sopa mais indigesta.
É que lá está uma comissão técnica desprestigiada, mas que vai levando, empurrando as coisas com a barriga, porque o presidente da CBF, o de verdade - ou que pelo menos deveria ser - Marco Polo Del Nero, se faz de morto, nem respira direito que é para não ser percebido. Quanto menos barulho fizer, melhor será para ele se manter vivo como presidente. O presidente em exercício, um coronel sem nenhuma história que possa lhe render algum respeito no futebol, também está fantasiado de vaso de flor, que só serve para ornar a mesa de reuniões.
Esta seleção virou mesmo um “nada”. Coisa que ninguém mais respeita e ninguém mais quer. Parece que nem mesmo os jogadores fazem mais questão de vestir a “amarelinha”, como disse outro dia Casagrande.
Se você pensa como eu, com o Coritiba acima de tudo, quando o assunto é futebol, deve estar se desinteressando pelo tema. Mas aqui cabem então duas observações de problemas comuns do Coxa e Seleção: treinador e dirigentes. Assim, chego a conclusão que vivemos uma crise técnica, não apenas nos clubes, mas em todo o futebol brasileiro. Por falta de talento, pela incompetência dos dirigentes, muitos interessados apenas em dinheiro, e ainda também temos o problema técnico.
Se Dunga cair, quem deve assumir? Quem seria o cara da vez? Tite parece ser uma unanimidade, mas que certamente não deixaria o Corinthians para pegar esta encrenca que virou a Seleção Brasileira de Futebol. Além dele, não vejo outro nome competente, capaz e disponível, que queira e possa resolver o problema criado por Dunga e sua turma. Se Dunga sair, e Tite convidado, estes dirigentes correm o sério risco de ouvir um NÃO de Tite.
No Coritiba, a gente vive o mesmo problema, só que em escala menor, mas com algo muito semelhante. Nos gabinetes e também tecnicamente.
Treinadores são um problema do Coritiba há muitos anos. A Kleina não será dada nenhuma tolerância, caso não vença o Paranaense. Chegou com a corda do pescoço e assim se mantém até agora. A coisa se acalmou com os últimos resultados. Se vencer o paranaense, e não corresponder nas primeiras rodadas do Brasileiro, volta para a cruz. Uma situação diferente da de Dunga, mas igual a de muitos treinadores pelo país. Não tem pra onde correr.
Ontem, assistindo Barcelona e Atlético de Madri, foi possível ver que a diferença para o futebol brasileiro não é só de talentos, mas também técnico.
Há uma obediência tática impressionante. O que deixa a diferença do futebol jogado entre eles e o nosso, que é de anos luz, mesmo quando os talentosos não brilham, mas obedecem religiosamente o esquema proposto. O que acaba dando personalidade ao time. Coisa que cada um dos grandes clubes europeus possuem. E nestes casos, os treinadores dão o que podemos chamar de “a alma do time”, criando um padrão tático, coisa que aqui só vejo no Corinthians e muito sutilmente em outros três ou quatro clubes, com muita boa vontade.
Não sei se porque não há esta obediência tática, ou os treinadores não conseguem verbalizar o que querem, e com isso acabam não formando o grupo com o que de melhor ele pode dar.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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