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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Tá bom pra você?

- Quanto foi mesmo?

- Três a zero!

- Você disse que o Leandro fez dois gols, ouvi direito?

- Sim, foi isso que disse!!! Dois do Leandro e um do Ruy!

- Ah, não! Até o Ruy! Nem sabia que este cara ainda estava por aqui!!!

- Este time do Guarany deve ser mesmo muito ruim pra tomar 3 gols: dois do Leandro e ainda um do Ruy!

Não saberia assegurar, mas consigo imaginar que boa parte da torcida tenha tido pelo menos um trecho desta conversa.

Este é o Coxa-Branca legítimo, pessimista que antes do time sair daqui, quando soube que jogaria com o time reserva torceu o nariz. Perfil típico do cara que é incapaz de admitir uma vitória destas.

Pra ele, não foi o Coritiba que venceu, foi o Guarany que perdeu. Os outros é que são piores que nós, não consegue ver mérito nunca. Dar crédito a dois jogadores reservas, que desde que chegaram nada fizeram, é muito ter que aceitar que justamente estes dois foram os responsáveis por uma conquista que poucos conseguem na Copa do Brasil: eliminar a partida de volta.

Leandro especialmente, deu muito mais que uma vitória ao Coritiba. Deu trégua numa temporada de um calendário ingrato e cansativo. Deu a possibilidade de Kleina trabalhar com uma semana a mais, coisa que muitos times não terão. A maioria vai ter que disputar a segunda partida pela Copa do Brasil, num meio de semana, onde provavelmente o Campeonato Brasileiro já terá começado.

Além dos gols de Leandro, ainda ter que admitir, goleada, fora de casa, com o terceiro gol de Ruy, com uma partida onde Ícaro, foi bem e o paraguaio Benitez também, é demais para os pessimistas azedos. Aliás, arrisco dizer que o lateral paraguaio parece justificar a contratação.

Mas ainda sobra um argumento, onde muitos já se apegam e se manifestam: Ortega. O paraguaio ainda não marcou e pelo que vejo nas redes sociais e em algumas conversas, será a “bola da vez”.

Pena que seja assim, com isso sobra mesmo muito pouco para festejar o nosso futebol, já comprometido com qualidade, desmandos e de muitos erros.

Tolerância não é regra por aqui. Paciência só em casa e olha lá! Ficar só com o que tem de bom, ultimamente, não é pedir demais, ou é? Parece que finalmente nas últimas semanas, o Coritiba anda mais acertando do que errando.
Não esqueçam: futebol é paixão, mas antes deve ser diversão.

Depois do episódio dos salários atrasados, não tivemos mais problemas. Pelo menos o que nos interessa, o time dentro de campo, anda pra lá de convincente, ou não? Até o time reserva anda fazendo direitinho seu papel. Pela segunda vez dá conta do recado. Primeiro contra o Avaí e agora contra o Guarany, pela Copa do Brasil, valendo uma classificação que nem sempre é tão fácil como foi.

Isso só me confirma o que tenho dito. Temos elenco, podemos encarar um brasileiro com reposição de peças, sem sentir muito a troca. Isso é o que importa num campeonato longo. Coisa que não temos há muito tempo. Coisa que muitos times não têm e não terão.

Não tenho outro caminho, a não ser reconhecer que depois de anos criticando, finalmente o Coritiba conseguiu montar um time melhor.

Domingo, com o time principal, outra batalha. Se ficar no meio do caminho, ou se algo não der certo, também não será momento para jogar fora tudo que foi feito até aqui. Tropeços podem e vão acontecer. Até porque não temos um time imbatível. Espero que não seja agora, e se Deus quiser não será, mas também não será o momento para reviver os dias de “terra arrasada”.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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