Tá cada vez mais difícil, viu!
Esta entressafra de fim e recomeço, da pré-temporada, onde as expectativas renascem, mas logo desaparecem. São cinco anos, amigos. É verdade que se recuar um pouco mais no tempo, tivemos momentos até piores. Mas nessa sequência, de cinco longos anos, não lembro de nada igual. Indicativo de fim dos tempos? É o que parece. Ou pelo menos começo de outro. Sim, porque deste jeito a coisa não vai longe.
Tenho um grupo de amigos, que debandou do quadro de sócios. Assim como eu. Por decisão exclusiva e consciente de não mais financiar a incompetência instalada no clube. Afinal, dinheiro anda difícil e jogar fora assim, não dá mais. São mais de 100 reais que lá na frente acabam fazendo falta ou serão gastos em coisas mais úteis, que trazem mais satisfação.
Este grupo de amigos pode ser usado como termômetro para medir o restante da torcida, que anda deixando o quadro associativo e consequentemente as arquibancadas do Couto.
Estes dias ainda levados pela paixão, muitos ainda esboçavam uma leve reação dando mais uma chance a si e ao próprio clube. Como marido traído, apaixonado, ainda querendo acreditar que a relação pode dar certo, apesar dos cinco longos anos de traição. Alguns quase voltaram, outros ( maioria), preferiu esperar mais umas rodadas para retornar, mesmo que ainda de forma tímida. A adesão ao Green Card por exemplo, parece uma boa opção. Barato, atraiu muitos do grupo, mas a adesão ainda foi pequena, muitos ainda não cederam a mais esta tentação.
As primeiras rodadas do Regional dizem qual foi o fim desta história. Ontem à noite, depois de mais um tropeço, desta vez contra o Cascavel, a conversa era de alívio por não ter jogado fora 119 reais. Aliás, um preço bem razoável pelo que anda sendo cobrado no futebol brasileiro. Mas o Coritiba que temos aí, não vale nem isso. Uma média de 20 reais ou até um pouco menos por partida.
Pensando bem, no final das contas, o que acaba pesando para muitos na avaliação não é tanto o dinheiro, mas a desilusão, o sofrimento, a tristeza. Quem é que vai gastar dinheiro com algo que sabe que vai lhe causar desilusão, sofrimento e mau humor? Só mesmo os incondicionais que merecem aplausos, que resistem bravamente, só por amor. Coisa que beira os 10 mil torcedores, pouco mais ou pouco menos, não sei ao certo. Os números andam despencando tanto que nem divulgam mais quantos torcedores ainda resistem bravamente pagando em dia suas mensalidades.
Deixando este grupo de amigos de lado, falando só por mim, sinto falta de ver o Coritiba, gosto de ir ao Couto, gosto do ritual do jogo, gosto do ambiente do estádio.
Fim de ano, o período de nada de futebol no estádio e nada na tv, é como alguém da família que saiu de casa e faz falta. Pra sofrer menos, tenho exercitado um jeito que tem me dado muito trabalho, mas ajudado um pouco. Vou ao estádio e só pego o sentimento bom, os que citei acima. Deleto o resto, jogo fora nome de jogador, rosto, número de camisa ... só vejo o verde , o branco e o emblema no peito. Vejo uma camisa sem ninguém dentro. Não ajuda muito, mas alivia o sofrimento. Saio dali, volto pra casa e fica tudo no caminho. Fico pronto para em alguns dias nada sentir de novo. Minha vacina contra um novo sofrimento que sei que virá na próxima rodada, pois não lembro do Coritiba ter engatado uma série de boas partidas nestes últimos anos. Acho até que não houve. Quando consegue jogar razoavelmente, dá sinal de que pode ser um time de futebol, logo vem a desilusão, sempre em dose cavalar. É mais fácil ver sequência de partidas ruins do que boas.
O torcedor Coxa anda experimentando uma nova modalidade de torcer para seu clube. No final, restarão PHDs em torcida. Uma torcida para ser estudada, uma torcida única, jamais vista no futebol mundial.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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