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ArquibancadaSergio Brandão

Tem avestruz no grupo

Parece que estamos divididos em várias categorias: os completamente descontentes, os que se sentem aliviados com a saída de Samir (e isso é o que importa), os que ainda torcem o nariz para derrotas como esta para o Cascavel, os que acham que o time ainda precisa de tempo para entrosamento, os que gostam do treinador, mas reclamam de alguns atletas e os que insistem na velha e cansativa ladainha de precisamos de um meia de criação e de uma dupla de zaga.


Eu me encaixo em todas elas, Só não fazia parte do grupo que reclamava por uma dupla de zaga, achando que Castam estava bem e precisa apenas de um companheiro. Depois do patético gol contra, coisa de jogador grosso, acho que precisamos mesmo de uma dupla de zaga.


Também faço parte de uma categoria de torcedores chatos, que viveu outra época e que volta e meia retoma a conversa dos bons e velhos tempos do futebol dos anos 60 e 70. E isso é um problema, porque é a referência que tivemos e nos deixa muito exigentes. Porque deste time de hoje, nenhum seria titular e nem banco nestes anos dourados do futebol.


O time que Follador nos dá para torcer é sem dúvida melhor que o time que Samir e Bacellar nos deram, mas ainda longe do ideal e insisto: já deveria estar mais afinado e fazendo a bola rolar sem o sofrimento que vem tendo. Também não dá mais para tolerar as inconstâncias de jogadores que deveriam estar tomando a postura de líderes, mas ainda preferem fazer o papel de avestruz.


Talvez com a multifunção do departamento de futebol , com tanta gente dando palpite, ainda falta mais um cargo: o cara que vira a mesa em desastres como este contra o Cascavel. Imaginei que esta seria a função de Follador, mas não. Ele e Brunoro são muito polidos para serem entendidos por uma categoria que habita os porões do futebol. Estou me referindo a gente com o perfil do Hélio Alves, por exemplo. Os mais velhos sabem quem foi Hélio Alves, o feiticeiro, o cara da arruda na orelha que sabia conversar com os seus comandados e ser entendido. Falava a linguagem deles e tinha o respeito de todos.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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