Teve jogo?
Às 7 e meia sentei no micro e enquanto fazia meus textos que são narrados e vão ao ar em alguns sites e numa emissora de rádio, fui acompanhando o resultado do jogo.
No gol da Ponte, respirei fundo e em pensamento fui até o Couto. Me vi sentado no lugar de sempre e imaginei o silêncio sepulcral, o início do sofrimento que anda nos acompanhado há anos. O gol de empate, pouco antes do fim do primeiro tempo, me arrancou um leve sorriso. Lembrei dos críticos de W. Paulista, inclusive eu. Tinha que ser ele, não podia ser o Rafhael Lucas? – pensei.
Mesmo assim, o empate em casa seria um péssimo resultado. Nas condições em que estamos, situação quase irreversível, precisando vencer fora de casa, principalmente se tratando de um time certinho como o da Ponte, que em casa deve jogar completa.
Volto aos meus textos e fico resistindo buscar novas informações sobre o jogo. Temo pelo pior.
Duas ou três vezes dou umas espiadas e vou esfriando meu interesse. Uma melancolia enorme toma conta e fico imaginando que o resultado apenas confirma minhas expectativas. Seria mesmo o prenúncio de dias piores. Preferi deixar para ver o resultado final.
Não consigo tirar o jogo da cabeça. Num crescente, o som da transamérica, na narração de Jacir de Oliveira, me parecia anunciar algo. Ainda mais alto, o som fica claro e finalmente identifico a narração e o gol do Coxa. Meu vizinho grita junto. Lembro que descobri que também é Coxa na vitória no Olímpico, ano passado, pelo Brasileiro. Naquela oportunidade, também fez o mesmo: levanta o volume do rádio e grita junto. Pelo que percebi desta vez, gosta de ver na tv, ouvindo pelo rádio. Puxo minha página na internet que segundos mais tarde também anuncia o gol da virada. Em letras garrafais : Goooooooooooooooollllllllll, do Coritibaaaa !!!!! Giiivaaaaaa !!!!
Outro que como W. Paulista ainda não tinha dito a que veio. Pelo menos foi assim desde que chegou. Aliás, ninguém ainda me explicou direito o que houve com Giva, que chegou e não tinha se apresentado. Se bobear, encontraria com ele na rua e não saberia de quem se trata.
W. Paulista e Giva, dois nomes, dois gols para fazer pensar. Que não seja pra pensar, que seja só para comemorar, afinal nos dá a vantagem para a segunda partida. É verdade que com o gol tomado em casa, deixa a Ponte na confortável posição de ter que vencer em casa por pelo menos um a zero.
Pelo que leio e ouço, não foi uma partida brilhante, mas fez o mínimo para vencer pelo placar que venceu.
Diante destas circunstâncias nada otimistas, mesmo com a vitória, ainda faço parte do time dos otimistas. Sempre prefiro achar que agora a coisa vai. Agora ganha a moral que precisava e vamos encontrar alguma coisa parecida com futebol, escondida dentro desta turma que no mínimo precisa entender que o Coxa não tem uma torcida exigente, ela é mal acostumada. Entendendo isso, já teremos meio caminho andado. No gramado, isso pode resultar em raça. É do que vamos precisar na partida de volta, em Campinas. Com ela, voltamos com a classificação pra casa.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (0)
