Time nervoso !
A frase é do treinador Paulo Cesar Carpegiani, após o empate de ontem no Maracanã, contra o Flamengo. Uma verdade absoluta. Foi exatamente assim que aconteceu. Nem mais e nem menos.
Mas se qualquer um de nós errar em seu trabalho e justificar o erro ao nervosismo, provavelmente teremos mais uma chance de errar e na segunda ganharemos o olho da rua.
Oras bolas, nervoso pode ficar o torcedor na arquibancada, mas o profissional bem pago, não. O cara tá lá cercado de toda assistência psicológica, alimentação boa, treinamento adequado, descanso na hora certa. Não é possível admitir nervosismo numa horas destas. Se contra o Flamengo que não era o jogo da vida deles, ficaram assim, fora de controle, imagina contra o Vitória, na próxima rodada, quando a cobrança será maior?
Este excesso de mão na cabeça do jogador de futebol precisa ter um fim. A maioria não passa de um bando de garotos mimados, irresponsáveis, se achando o último biscoito do pacote.
Sempre há um porém, mas que lá na frente acaba sendo amenizado com o que acabou sendo o desfecho da partida de ontem. A tragédia do primeiro tempo, especialmente dos primeiros 15 minutos, não se justificam e não é possível admitir em profissionais de futebol. Isso só acontece no Brasil. Ou vocês são capazes de lembrar de casos de nervosismos entre clubes grandes na Europa, por exemplo? Jogar mal, errar, estar num dia ruim, dá pra admitir. Até limitação técnica (caso do Coritiba), mas nervosismo não, agora... neste momento não.
Há anos os clubes de futebol adotaram a assistência psicológica. Se este trabalho não tem função numa hora destas, então não sei o que faz um psicólogo dentro de um clube de futebol. Ou o Coritiba não tem mais um Psicologo como funcionário?
Quando terminei de ouvir esta frase acima, dita por Carpegiani, lembrei dos 8 x 1 da Alemanha, na Copa. Nem naquele caso houve nervosismo, mas foi igualmente irritante. Ali houve desatenção, soberba, displicência e humildade para admitir uma inferioridade técnica.
No caso do Coritiba, ontem, contra o Flamengo, houve descontrole emocional, falta de preparo, de comando, de alguém mais maduro que arrumasse o emocional. Acredito eu, na convivência do dia a dia do grupo, isso é possível de detectar. Faltou alguém que pudesse fazer este filtro antes da partida. Papel que geralmente cabe ao treinador, ou de alguém do comando técnico.
Menos mal quando Carpegiani ainda conseguiu arrumar a casa no intervalo. Salvador o gol de Amaral que trouxe esperanças antes que terminasse o primeiro tempo. A sorte e a competência de Kleber que acabaram apagando o descontrole do primeiro tempo, com um gol no finzinho da partida e recolocou o Coritiba nos trilhos da competição, impedindo um "nervosismo" ainda maior para o restante do Brasileiro.
Mais sorte que juízo. A sorte que anda nos salvando. Foi assim nos últimos 180 minutos (Santa Cruz e Flamengo).
Não será possível admitir nova crise emocional na próxima rodada. Não será possível entender mais uma vez um time nervoso. Já estamos até o pescoço de problemas. Time nervoso, com crise existencial é demais.
Raça, boa vontade, vergonha na cara e respeito ao torcedor, são bons remédios para estes problemas, para este restante de ano.
Não estou pedindo uma exibição de gala. Apenas mais um ponto, em casa, contra o Vitória. Não é muito, né?
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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