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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Tirem as crianças do estádio !

Vai aqui uma ponta de inveja. Enquanto os outros se movimentam, Internacional anunciando Falcão, Figueirense Argel, Cruzeiro apresentando Rafinha, o Coritiba segue sua saga de treinador interino, já há 10 rodadas. Pior que isso é ver que a interinidade é teimosia dos dois lados. Um porque é burro por insistir num tema que sabidamente não dará certo. O outro porque ainda acha que pode provar o contrário.

Meu caro Pachequinho, peça para sair! Seu filme só está queimando e sua batata assando até passar do ponto. Gostaria manter ainda o que resta de admiração e respeito pela sua história, construída com tanto amor dentro do Coritiba. Peça seu afastamento e volte à sua velha função de auxiliar, para assim finalmente ganhar mais rodagem e um dia, quem sabe, ajudar o Coxa, mas em outro momento, não agora.

O Coritiba deste momento é para alguém mais experiente, mais calejado. Que tenha a manha de trabalhar com um grupo limitado, que tenha pulso e principalmente segurança no trabalho. Não é momento para experiências. O comando técnico precisa de alguém que tire “leite de pedra”, meu caro Pacheco. Sua experiência ainda não alcançou este nível, lamentavelmente.

Peça seu afastamento, por favor! Porque se depender destes seus chefes, você será mantido no cargo. E juntos afundarão finalmente o Coritiba, numa crise que pode não ter mais volta. Não sei se já perceberam a delicadeza do momento? Não gostaria de ver seu nome sujo na praça, meu caro Pacheco. Junto aos devedores, compondo o time dos “sem crédito”, com a torcida.

Posso até lhe dar uma data para a coisa degringolar de vez pro seu lado. E olha que não tenho bola de cristal, mas arrisco dizer que se depender deles, você será mantido como treinador por mais duas rodadas. Por azar, duas partidas que temos fora, nesta sequência que imagino já está lhe tirando o sono, problema também de todos nós torcedores.

A primeira é segunda-feira , contra o Galo. Com o andar das coisas, não é possível esperar outro resultado a não ser a derrota. Me desculpe, mas é derrota que esperamos diante do que seu time anda jogando, Pacheco. Não é possível esperar mais que uma derrota nesta rodada. Gostaria até que usasse esta informação para mexer com o brio da “tropa” e o resultado fosse outro. Serei o primeiro a vir aqui e reconhecer sua superação e de seus atletas. Para ser nada coerente, aqui no COXAnautas temos um bolão. Veja você quanto ainda aposto e acredito no trabalho dos deuses: apostei no bolão num resultado de 2x2.

A vida segue na rodada seguinte com o Santa Cruz, que também está com a corda no pescoço, assim como nós. Mais uma partida fora de casa contra uma equipe que busca a reabilitação e até caminha para isso, (coisa que ainda não fizemos) depois da boa vitória que eles tiveram contra o Internacional. Lá por Recife, eles devem estar animados com a nossa visita, achando o mesmo que nós achamos quando recebemos o Botafogo aqui. “Agora a coisa vai”, dizem eles animados !!!

Se a lógica prevalecer, teremos duas derrotas para serem computadas. Para ser otimista (coisa que não dá pra ser ultimamente), se voltar com um ponto destas duas partidas fora de casa, estamos no lucro. Em outra circunstância, até seria um bom resultado, mas agora não será, porque vocês já jogaram fora todos os pontos que poderiam perder, principalmente nas partidas dentro de casa, contra São Paulo, Inter, Palmeiras, Botafogo e Chapecoense, e até com pontos que tiveram na mão, jogando fora do Couto, mas também foram mais uma vez incompetentes deixando estes pontos preciosos com os adversários, caso das partidas com Santos e Corinthians.

Depois disso vai te restar o quê Pacheco? Você vai dizer o quê para as crianças em casa? Que tentou, mas não deu? Vai ficar um sabor bem amargo de derrota e a torcida no mínimo torcendo o nariz para você. Restando apenas sua história de atleta do clube.

Novamente você e a diretoria vão se fantasiar de árvore, fazendo de conta que nada está acontecendo e mais uma vez não vão desocupar a moita?

Naquelas conversas cansativas, que nada dizem, nas longas e desnecessárias coletivas bater na ladainha de sempre? Isso já cansou. Ninguém mais engole esta conversinha de estamos trabalhando, vamos corrigir os erros, temos uma semana de trabalho duro etc. etc. etc.

Você com medo de perder o emprego, porque se aceitar a interinidade pouco pode fazer e se for efetivado, pode perder o emprego mais adiante. O outro, o chefe ... bem, deste não espero mais nada, absolutamente nada. Me cabe espernear aqui, até alguém cansar (eles ou eu).


Do seu chefe, Pachequinho, consigo classifica-lo como um torcedor, daqueles que pouco vai ao estádio, que mal conhece a escalação do seu time, que pouco sabe da história do seu clube. Daqueles que diz que torce para determinado clube porque sua família, por tradição, o ensinou assim, mas nem sabe direito como é a brincadeira. Quando acordou estava no poder. No comando do seu clube, mas sem saber o que fazer. Como quem é jogado ao mar, sem saber nadar. Foi brincar de presidente, acordou presidente e se deu mal.

Até hoje, quase dois anos depois, não sabe o que fazer com a batata quente na mão.



Há uma história no clube, uma brincadeira entre funcionários, que diz que estão fazendo uma vaquinha para presentear o presidente com um GPS, para que coloque em sua memória o endereço do Coritiba, na Ubaldino do Amaral, e do CT da Graciosa.

O fim desta história parece previsível. Fica proibido para menores. Proibido para torcedores cardíacos, para os apaixonados pelo clube, que infelizmente caiu em mãos incapazes de salvar a nau à deriva, e que se descontrola a cada metro que avança em águas cada vez mais turbulentas.

Tudo parece uma questão de dias.

Tirem as crianças da sala. Saia daí você também Pacheco, antes que seja tarde!

Me desculpem praticamente repetir as mesmas lamentações de antes, mas cada um reclama pelo canal que tem. Por enquanto acho que é o máximo que posso fazer. E por aqui continuarei batendo o pé até que façam o mínimo, pelo menos.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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