Torça, mas sem muito barulho!
Por mais que queiramos negar, da saída de Ceará para o Internacional, fica apenas a mágoa. Uns dirão que nem isso. Não pela saída de Caerá, mas porque é mais um que troca o Coritiba por outro clube. Qualquer grande time que quiser seja lá quem for, leva daqui quem quiser. Só não levam mais porque não temos nem oferta e nem qualidade que interesse.
O que tinha por aqui, já levaram tudo. E olha que estou falando de Ceará que até o memento não justificou a contratação. Veio como um dos principais nomes para a temporada e até agora mais frequentou o departamento médico do que o campo, jogando ou treinando. Perdemos um jogador meia boca, na verdade, para um outro time meia boca. Que ultimamente melhor do que nós só mesmo a torcida que pelo menos se manifestou neste fim de semanas, por muito menos do que nós. Afinal, eles ainda não frequentam a zona de rebaixamento com tanta assiduidade como nós. Pobre Inter que acha que resolve seu problema levando Ceará.
Mas a verdade é que qualquer um que queria um atleta nosso, vai levar o quê e quem quiser, quando quiser. E o problema disso tudo é que nada e nem ninguém vai fazer falta. De tudo que temos, quem sabe apenas Kleber que anda brigando sozinho, faça alguma falta se um dia sair, mas muito mais pela luta do que pela qualidade. Sozinho anda podendo muito pouco.
Juninho, Luccas Claro, Alan Santos, os mais assediados ultimamente, também não farão falta se forem embora.
O último a se despedir e que até hoje deixa saudades, acho que foi Rafinha. Referência do último time competitivo que o Coritiba teve. Antes se foram tantos outros que erradamente muitos torcedores diziam que não fariam falta, como Jr. Urso, Chico, Gil, Sergio Manoel, e tantos outros que hoje cumprem seu papel em times melhor classificados pelo brasileirão. Isso só para dar alguns exemplos.
O futebol é dinâmico e o vínculo por um prazo maior é quase impossível. Uma regra básica no futebol, mas que no Coritiba foi desaprendida, precisa ser com a reposição. Quem sabe o maior defeito das duas últimas administrações no Coritiba.
Estão nos impondo a convivência com o que não serve para os outros. O que está encostado e que no Coritiba vira uma grande aposta. O que também não é novidade nenhuma para quem acompanha o Coxa nos últimos anos.
Tenho percebido uma debandada de torcedores por conta disso. De fontes seguras, sei que o número de sócios cai a cada dia, chegando a números assustadores.
Em casa, tenho um exemplo disso. Minha filha de 7 anos, que sempre me acompanhou e sempre gostou de ir ao Couto, passou a recusar meus convites. No domingo saiu com a mãe vestindo a camisa do Coxa. Voltou triste. Por mim e por ela. Por ela porque foi “zoada” na rua e de mim porque sabia que mais uma derrota me tiraria o humor. Com a história dela, se somam muitas outras histórias tristes de desinteresse pelo futebol e especialmente pelo Coritiba.
Estão acabando com uma geração de futuros torcedores. A garotada que vai ocupar as arquibancadas mais tarde, não quer mais brincar de futebol. Estádio novo para quem? Para quê, sem torcedor?
Passei esta e outras situações ao presidente Rogerio Bacellar, via mensagem de celular. Usei o mesmo número de telefone quando fizemos alguns contatos, quando o clube se organizava para homenagear Kruger com a estátua.
Muito mais do que a falta de resposta do presidente, desconsiderando minhas opiniões, me preocupa muito mais o descaso e a aparente falta de conhecimento do que de fato impera lá dentro, entre os dirigentes.
A todo torcedor, seja lá quem for, o tratamento é o descaso. Se fecharam num mundo de “faz de conta”, onde nada os atinge e nem os incomoda. Torcedor continua sendo aquele bichinho, que mais atrapalha do que ajuda, que precisa pagar sua mensalidade para se sentar na arquibancada e se puder ficar quietinho, melhor.
Nossos problemas não estão na saída de Caerá, na entrada de Dodô como titular na lateral direita, Não está em Kleber que ultimamente incorporou o espírito de guerreiro, de gladiador, de Joao Paulo que não serve como volante. Os problema do Coritiba não estão em F. Amorim que veio e ninguém sabe explicar por que? Em Kazim, Berola, Leandro, Vinicius, Evandro, Ortega, etc. etc. etc.
Nossos problemas estão em nossos dirigentes que montaram um time com a cara deles e querem que a gente chame isso de Coritiba.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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