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ArquibancadaSergio Brandão

Torcedor não é bobo!

Aos otimistas ainda resta o sonho de uma nova rodada, de mais uma estreia, desta vez no Brasileiro, o sonho da reversão de mais um placar, desta vez não tão difícil assim, com uma desvantagem possível de alcançar. Ainda resta aos otimistas o sonho do milagre, de acreditar em Papai Noel.

Aos pessimistas, resta se lamentar, bater o pé, espernear, até que as coisas melhorem. Escolha o seu lado, se é que já não tem um, e torça ou reclame, mas se junte a uma destas duas turmas e faça algo. Porque se não for assim, você estará junto com uma terceira turma que está debandando, que não acredita em mais nada. Esta turma está ficando grande, cada vez maior.

Talvez a maior prova de que esta diretoria anda mesmo delirando é o surgimento desta terceira turma. Só que nossos dirigentes ainda apostam muito mais nas duas primeiras turmas. Ainda acreditam que estão no caminho certo e acham mesmo que revertem as coisas. Mesmo que os fatos digam o contrário. Fazem campanhas de novos sócios, estabelecem meta de 20 mil sócios como se as coisas fossem mesmo favoráveis para isso.

Não percebem que o caminho feito é justamente o caminho inverso. Os números só despencam. O número de sócios inadimplentes só cresce e o de novas adesões não ganha adeptos. Nossos comandantes parecem precisar de um grande choque, daqueles de causar impacto para que caiam na real. Parece que vivem aquela velha e conhecida história. Contam tanto uma mesma mentira, que acabam se convencendo de que ela é mesmo verdadeira. Parece que só um choque tira esta gente do transe.

E vai precisar de um choque profissional, porque destes choques baratos, eles sabem como se livrar. Porque se até agora, com a mediocridade que vimos em três partidas patéticas não foi suficiente, não sei exatamente qual será o caminho a ser tomado para que acordem. Não estamos falando de uma sequência qualquer de três derrotas, coisa até corriqueira no futebol. Foram duas derrotas traumáticas, e uma de balde de água fria, daquelas para cair na real definitivamente.

Enquanto Kleina e atletas saem de Curitiba com o discurso que a torcida precisa ser respeitada, e que darão a alma para retribuir o carinho e a dedicação dada até aqui, ainda vimos a mesma conversa fiada , da boca pra fora, como se a torcida não fosse capaz de avaliar o que é de fato "suar sangue" .

Ainda brincam de administrar futebol. Ainda brincam de jogar bola. Mais doído, é que usam a paixão, o amor da torcida, para esquentar seus discursos enraizados na política tradicional, agora importados ao futebol. Apostam em conversas falsas, fazem política como profissionais, mentem, iludem, mal tratam o bem maior do futebol que é o torcedor.

Enquanto isso os mais exigentes e esclarecidos, vão sumindo. Os que ficam como nós, são os movidos apenas pelo amor. Mas até disso eles se aproveitam. Passam por cima sem escrúpulos.

Ah, antes que esqueça. Ainda faço parte do time dos otimistas. O primeiro daquela lista, mas com muitas reservas. Muitas mesmo. Ainda consigo ser otimista, apesar deles. Sou dos que ainda acreditam em milagre, em Papai Noel, mas não sou bobo.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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