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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Trégua !

Tô que nem marido apaixonado e traído. Concede o perdão uma, duas, três vezes. Depois da terceira vez, começa a achar que está sendo enganado de novo, mas prefere não acreditar, e faz de conta que não vê. É que depois de anos de sobe e desce, altos e baixos, assim ficou esta minha relação desgastada com o Coritiba.

Mesmo prometendo que não vai mais me trair, que aquela contra ao América em Minas, foi a última vez, e que agora, contra o Inter as coisas serão diferentes, aceito o perdão pela enésima vez, mas não consigo relaxar e crer que agora a coisa vai. Digo sim, mas desconfio.

Quero crer porque acredito na boa vontade, mas o histórico o denuncia. Suas inclinações ao mal parecem ser ainda maiores. É que trouxemos esta relação até aqui assim, na desconfiança e não há outra forma a não ser esta. Comportamento viciado. Nos acostumamos ao sofrimento. Tanto é que na verdade, de concreto, ainda não temos muita coisa para comemorar. Apenas a boa vontade e alguns acertos.

Como ponto positivo, podemos comemorar pontos nesta montagem que mexeu no time. Parece que funcionou melhor, ficou mais forte, consistente, do meio pra frente, com mais posse de bola, dominando grande parte da partida, mais encorpado, mas ainda faltam duas questões básicas. A primeira delas é a defesa. Provavelmente por ser uma zaga com pouco treino, está desacertada. Ainda bate cabeça como das outras vezes. O gol do Inter por exemplo, novamente foi falha de marcação.

Bareiro deve ser testado mais vezes. Precisa ganhar confiança e parece precisar da segurança que pode ser dono da posição. Resta saber com quem fará a parceria. Se não tivesse sido expulso, eu o manteria para a próxima partida sem medo de errar.

Na frente, ainda falta a finalização, jogadas mais agudas, que levem ao gol. O meio já consegue ter mais posse de bola, mas falta a finalização e jogadas de opção, quando encontra uma defesa bem aramada como a do Internacional. Falta um jogador de velocidade, para desarrumar as defesas adversárias quando bem armadas. Por enquanto o cara para isso é Vinicius. Melhor que isso seria Rafinha, nos seus bons tempos de Coritiba.

Diante das circunstâncias, o empate não foi um mal resultado. Em outros tempos, teria sido imperdoável. Se tivesse sido no começo da competição, ou da temporada, seria muito bem aceita, mas já passamos da metade do ano. Antes tarde do que nunca, diria o sábio.

Por isso, as circunstâncias precisam ser lavadas em conta. Se este é o caminho, só em mais duas ou três rodadas saberemos. Mas pelo menos saiu da inércia. Algo novo de fato aconteceu. Houve a mexida que precisava acontecer. De tanto que reclamamos ou que finalmente perceberam, não importa.

Como marido traído, sugiro ainda para que nos mantemos vigilantes. Não permitir sequer um ligeiro tropeço que seja.

Uma vitória em Florianópolis precisa acontecer. Não há outro resultado que interesse. Já perdemos pontos suficientes e agora a ordem é correr atrás do prejuízo, antes que seja tarde demais.

Quero acreditar em você, Coritiba!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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