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ArquibancadaSergio Brandão

Treinando para ser monge

O comportamento do torcedor de futebol merece um estudo mais aprofundado, com base em teorias sociais. Quem sabe, estudos que possam ser feitos por professores de Educação Física, que possuem informações em ciências do esporte. Mas acho que precisam buscar mais conhecimento em Ciências Sociais e Psicológicas, também.

Futebol parece fazer parte daquelas gavetas onde colocamos nossas paixões mais exacerbadas, fora do controle algumas vezes. O torcedor que somos hoje parece ser resultado da formação que tivemos, da personalidade de cada um. Uns mais agressivos, outros mais analíticos, passionais ou racionais. O fato é que somos muitos, de multas manifestações de várias personalidades.

Entramos tanto nesta história que não bastando ter os adversários naturais do futebol, alguns conseguem arrumar rivais afins.

Somos mesmo caso de divã de analista. Não é de agora que digo que ninguém é mais torcedor que ninguém. Ninguém é mais Coxa que o outro. Somos individuais e o gosto pelo futebol, pelo clube que escolhemos torcer, vai muito da personalidade de cada um e de influências dentro de casa, da educação de cada um.

A paixão com o futebol parece funcionar como vicio. É difícil largar. Entrou num estádio quando pequeno, dificilmente consegue sair. É como o usuário de droga, de cigarro. Largar até dá, mas fica tatuado na gente... é para sempre. Vai ser preciso lembrar sempre que aquilo tem consequências. É a história do cachorro mordido por cobra que tem medo de linguiça.

É até possível encontrar ex- torcedor de futebol, mas é sempre um ser estranho. Se largou mão da brincadeira, ou foi motivado por um grande trauma, ou é mesmo um ser superior, acima de nós mortais.

Nós, aqui no site, somos motivos de estudo sociológico. O COXAnautas criado há mais de 20 anos, já viveu momentos de turbulência entre seus frequentadores, quase sempre na busca de melhores caminhos ao Coritiba. Pelo menos este deveria ser seu principal objetivo. Para muitos, a maioria, é assim mesmovque funciona. Para outros um ponto de encontro, momento de confraternização quando o tema é o que temos em comum, o clube que escolhemos para torcer.

Estou aqui há quase 4 anos. Arrumei muitos amigos, muitos mesmo. Um número que nunca imaginei ter, tendo o futebol como motivo.

Mas também arrumei uma turma que gosta do embate. Em alguns casos até por razões ainda desconhecidas. Muitos me elegeram como o cara infalível, preciso ser coerente. De mim deve passar longe o erro. Jamais dizer algo hoje e dias depois achar que aquilo não é bem assim. Estes não me dão o direito de ser torcedor, assim como eles são. Passionais e não analistas precisos. Aliás, coisa que já fui quando trabalhei na imprensa. Ali sim era preciso tomar muito cuidado com posições e exposições de opiniões e ideias. Aqui não. Achei que podia ser torcedor como todos os outros, mas alguns chatos acham que não. Alguns reclamam disso de forma velada, outros mais agressivamente. Não importa. Nada disso me tira o prazer de estar com os muitos amigos que aqui fiz.

Isso tudo para dizer que não responderei mais a provocações e tão pouco a falta de educação ou a conversas que nada acrescentam, principalmente as odiosas. Coisa que já tenho feito com algumas manifestações que tenho desconsiderado. E farei a partir de agora com os novos agitadores.

Seja lá em que grupo você se enquadra, o texto acima é apenas uma satisfação aos amigos. Se você está entre eles, bola pra frente.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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