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ArquibancadaSergio Brandão

Uma luta a mais por K9

O grupo de jogadores que ainda está em formação, para a partida contra o Goiás, parece estar fechado em torno da triste história do K9 e seu filho. Assim como todos nós, a história abalou os bastidores e entre as manifestações surgem apoios ao companheiro de grupo que recentemente foi o centro das atenções de um grande mal estar com a torcida e dirigentes.


O ser humano ainda tem solução. Pelo menos é o que fica claro nestas manifestações de apoio a um pai que perde seu filho de forma inesperada e até trágica. Parece que ainda somos capazes de colocar a dor, o sentimento acima de tudo, numa demonstração de amor ao próximo, graças à Deus.

Keirrison ainda incorporado ao grupo, recebeu o carinho de toda a torcida e de todos os companheiros para superar, talvez a maior dor que o ser humano pode conhecer, que é perder alguém próximo, e que todos vivemos ou vamos viver em algum momento de nossas vidas.


O mínimo que se espera é a solidariedade humana num momento como este. E foi o que vi desde a manhã desta quarta -feria, quando a imprensa anunciou a morte do pequeno Henri Lucca, de 2 anos.


Os atletas do Coritiba prometem uma dose a mais de esforço em homenagem e respeito ao amigo, companheiro de profissão.

O volante Alan Santos contou que esteve no velório para apoiar o colega e ficou muito emocionado. Disse ainda que vai correr mais na partida contra o Goiás, quando o Coritiba faz um jogo decisivo para sua permanência na Série A.
- “Quando cheguei lá para dar abraço nele, chorei muito, igual a uma criança. Ele era um cara que estava no dia a dia com a gente, um cara sensacional e agora vamos tentar reverter a nossa situação como se fosse um troféu para ele. Se eu botar na cabeça que eu tenho que correr para ele, tenho certeza que, para mim, vai ser uma guerra com o Goiás”, arrematou Alan Santos ao site de notícias globoesporte.globo.com.

Não tenho a pretensão de avaliar o estrago que uma fatalidade destas promove numa família, tão pouco num grupo de jogadores de futebol, especialmente como do Coritiba que vive um momento delicado na principal competição do ano.

Eu apenas sou capaz de ousar para tentar entender como o futebol é forte e faz parte da vida das pessoas, a ponto de mobilizar uma multidão em torno de um problema ou de alguém fragilizado. Como uma vitória, uma doação é capaz de diminuir - por pouco que seja - a dor de um pai que acaba de perder o filho.
Se há doação além do normal, deduzo duas coisas: a morte do menino mexeu demais com todos e que para Keirrison esta doação será um presente de seus amigos. Todos saem fortalecidos disso. A criança que ganha energias positivas para buscar sua luz, o pai que ganha conforto e carinho, e o clube que pode sair desta situação em que se encontra.

O futebol me surpreende cada vez mais. Por mais que eu viva, ainda não terei visto o suficiente para entender o tamanho dele na vida das pessoas. A sua capacidade de mexer e remover, às vezes o impossível.

Muita luz ao menino, Henri Lucca!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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