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ArquibancadaSergio Brandão

Uma vergonha por semana

Saí do jogo contra o Sport dizendo que o gol contra de W. Maia foi a cara do Coritiba naquela partida. Ontem, o gol que Edinho deu para a Ponte, foi a cara do Coritiba nesta inesquecível noite em Campinas. Rogério Bacelar, Alex Brasil, Pedroso e Beletti e o time inteiro, são a cara do Coritiba nos últimos anos. Estamos tomando uma surra por semana. Dia sim dia não, temos uma vergonha estampada na cara. Estamos virando (ou já viramos) piada.

Vejo uma debanda geral. Ouço e leio promessas de gente que diz não voltar mais ao Couto este ano. Muitos dizem que nunca mais. Alguns dirão que gente assim é melhor mesmo que suma. Eu já fui e já voltei várias vezes e nem por isso sou mais ou menos Coxa-Branca que você. Respeito a “ torcida que nunca abandona”. Mas também acho que cada um sabe onde aperta o seu sofrimento e seu dinheiro não está aí para ser gasto financiando a incompetência administrativa que se instalou no Coritiba. Não cabe aqui julgar ninguém, a não ser estes administradores incompetentes, alguns até mal intencionados. São aqueles que pensam apenas em ganhar seu dinheirinho em negociatas, usando o Coritiba para isso. Mas esta conversa também já é batida. Todos sabem disso e ninguém mexe em ninguém.

Não, não estamos como em anos anteriores, estamos pior. Querendo achar que as coisas vão ou estão melhorando a cada vez que conseguimos respirar sem ajuda de aparelhos, mas não demora muito pra gente cair na real e descobrir que o fundo do poço ainda nos espera com mais uma nova “vergonha”. Convenhamos, este pedaço da história, ainda não tínhamos experimentado, uma surra por semana, nestas condições contra dois times teoricamente iguais ao nosso, isso a gente ainda não tinha experimentado não é?

Não será a saída de Pacheco que nos dará alento. As declarações de Alex Brasil e Pedroso, após a tragédia de ontem, apenas confirmam que enquanto formos dirigidos por homens desatualizados, sem a ambição que é a alma Coxa, apenas com discursos políticos, não sairemos tão cedo do atoleiro. Digo mais, não seria com a saída de todo o elenco do Coritiba que mudaria o rumo das coisas. Porque enquanto as cabeças que contratam e que administram o clube forem estas, continuaremos assim, com Edinhos, Filigranas, Henriques, Luizões, Jonas etc. etc. etc. etc.

Infelizmente não há um horizonte promissor. Não estou me repetindo, como em anos anteriores. Estou tentando lhe dizer que os dias prometem calvário. É que neste estado de coisas, não será um treinador de renome, que por acaso queira vir trabalhar no Coritiba, que vai melhorar a situação. Que venha Marcelo Oliveira, mas virá para trabalhar com o que o departamento de futebol tem para oferecer? O time não ajuda, com todo otimismo que consigo ter, voltaremos no máximo a disputar o espaço intermediário da tabela. O que convenhamos, estaria de bom tamanho, levando em conta nossas limitações e problemas acumulados.

Neste momento paro de escrever e retomo o texto desta coluna. Parei para dar uma olhada nos sites, nos blogueiros e vejo a unanimidade nos textos: o problema são os dirigentes, não o time. O Coritiba ainda mora em nosso corações, quem estraga são as pessoas que colocamos para dirigi-lo.

Temos um belo clube, mas os "grandes" funcionários não prestam. Vai ser difícil arrumar um novo namorado, um cara bacana que queira esta noiva. Só mesmo com um dote tentador.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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