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ArquibancadaSergio Brandão

Uma vitória na derrota

Só o futebol para oferecer um placar absurdo como este. Entre tantos pelo mundo afora, esta classificação às oitavas de final na Copa do Brasil, contra a Ponte, em Campinas, é mais uma delas. Se soma a outros tantos placares, onde o perdedor sai como vencedor. Você pode classificar como jogo de 180 minutos, ou de quatro tempos, duas partidas de 90, mas o que vale mesmo são os 45 minutos de cada tempo. Agora podemos dizer que temos um time que perde, mas ganha. No caso, de 2x1, mas levou a classificação para a fase seguinte da competição. Era só o que faltava para este COXA MAIOR. Mas este é o futebol numa competição que é um torneio e não um campeonato. A regra permite estes absurdos.

Um jogo do renascimento - na partida e na competição. Mais uma vez por incompetência não conseguiu decidir quando teve as oportunidades. Todas no primeiro tempo, quando mandou na partida. Voltou para o segundo tempo e entregou a chave do carro para o adversário, e deixou que ele pilotasse da forma como quis. Desistiu da partida entregando o resultado de mão beijada. Com duas falhas clamorosas, uma do goleiro e outra da zaga, bem antes da metade dos 45 minutos, deixou o cômodo placar de dois a zero em favor da Ponte. Deixava escapar a classificação e computava mais uma derrota. Na verdade nada de novo. Era apenas mais uma bisonha e inexplicável atuação de um time de jogadores de baralho. Nada era novo. Apenas voltava a ser o mesmo time de outras tantas vezes.

[t]Evandro e Vaná[/t]

Evandro, 18 anos, Alagoano de nascimento, saído do time sub-23 no início da semana, e que virou opção no banco, mudou a história da partida. Entra no lugar do apagado Giva e muda tudo. Precisou de um lance na área para resolver. Levou um jogo perdido para os pênaltis. Foi quando aparece outro personagem, este completamente desacreditado: Vaná, o rei das falhas durante o ano todo, repetia a mesma performance, saindo mal numa bola relativamente fácil, e dá ao adversário de presente o primeiro gol.

Vaná pegou um dos pênaltis batidos, mas antes, logo na primeira cobrança da Ponte, com os olhos e abençoado pelos deuses, fez a cobrança do primeiro pênalti sair no travessão.

Dois personagens, dois heróis: um ainda tentando se redimir e outro começando a escrever sua história no Coritiba.

O menino de 18 anos mudou a história do Coxa na Copa do Brasil, como pode ter mudado sua vida no futebol profissional, e quem sabe, com um pouco de sorte, também mudar a história do Coritiba no brasileiro. Com isso, os problemas que tiram o sono de Ney Franco, quando precisa armar o time no ataque, a cada jogo.

Na falta de soluções e quase no desespero, Evandro já está eleito como o Messias que veio dos céus como o salvador.

O gol de Evandro que recolocou o Coritiba na partida e na Copa do Brasil, é pouco, ainda é preciso deixar amadurecer para depois cobrar do menino. Na nossa árvore que fabrica craques, ainda não desenvolveram a genética milagreira, que produz talentos como Neymar, Pelé e Grarrincha. É até uma árvore bastante simples, sem muita diferença das demais. Por isso, muita calma com Evandro.

Evandro, deve ser o homem da frente agora, por absoluta falta de opção, mas não pode ser cobrado para resultados imediatos.

Evandro já tem um grande feito: nos fez gritar goooooolllll, depois de muito tempo. Um gol salvador. Trocamos o grito de “vergonha, vergonha, vergonha”, pelo grito de gol.

Que os deuses do futebol te abençoem, menino! Que esteja com você a luz que precisamos e que vai os salvar! Amém!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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