Valendo uma Coca- Cola !
Diante de todas as manifestações aqui colocadas, resta muito pouco, ou quase nada para dizer, ou lamentar.
Ontem tive um compromisso à noite e acompanhei o desenrolar da partida pelo celular, lendo as manifestações dos amigos nas redes sociais. Em certo momento me desliguei do jogo porque as notícias já eram desesperadoras e terminaria de estragar minha noite, como certamente estragou a de vocês, mais uma vez, como muitas outras vezes este ano.
Aos poucos fui sendo tomado por um sentimento ruim, um misto de vergonha e de cansaço. Me flagrei dizendo pra mim mesmo: “não há novidade. Por que isso ainda é capaz de me deixar assim? Não procurei resposta. Não me aprofundei na questão. Simplesmente porque a situação não merece. Estes caras que trouxeram para trabalhar no Coritiba, não merecem nem mais a minha indignação. Tenho como solução apagar este período da minha vida e retomar quando as coisas melhorarem.
Ainda hoje, vendo os lances do jogo, voltei a me indignar. Gols bobos, falta de tesão, de sangue nos olhos, de respeito pelo torcedor e até pela própria profissão que cada um deles escolheu para viver. Me refiro a todos. Desde atletas, comissão técnica e dirigentes. Tá tudo mesmo virado empacotado e definido. Daqui pra frente me dou ao direito de não mais acompanhar este restante da morte anunciada, mesmo ainda acreditando que seja possível a fuga do rebaixamento, porque existe coisa pior que este time, aí pela frente neste brasileiro.
Mas duas lembranças me chamam atenção neste momento: a primeira é esta promoção para pagamento à vista dos vários planos de sócios, para provavelmente fazer um caixa. Pretendem com isso começar o ano de 2016 com mais dinheiro do que o previsto no orçamento do clube. Será que não é possível associar uma coisa a outra? Ou acham que agora, mais do que nunca, os sócios vão se mobilizar, se sacrificando, tirando um dinheiro que já tá difícil, para financiar esta pouca vergonha?
A segunda questão é uma imagem que me veio quando vi a imagem do Kleber batendo aquele pênalti.
No período que trabalhei em televisão, frequentei muito os treinos do Coritiba. Na época o CT ainda estava em construção. Todos os treinos aconteciam no Couto. O pessoal da imprensa ficava atrás dos gols, esperando o trabalho terminar para depois gravar com o boleirada. Certo dia eu estava atrás do gol dos fundos, e com uma bola fazia embaixada. Eu era bom naquilo. O treino termina e Rafael Camarota, nosso goleiro naquele período, brinca comigo me dizendo que eu devia fazer um teste no clube. Ainda com abola no ar chutei nas mãos dele. Ele segurou, me olhou e disse: - “ Vamos lá pro gol! Bota a bola na marca do pênalti e me bata três. Se uma das delas entrar, te pago uma Coca –Cola”. Achei mole, das três uma entraria, claro. Bati as três e ele pegou as três. A primeira bati no meio do gol. Ele nem se mexeu. Deu risada e disse que daquele jeito seria fácil.
Claro, eu estava de sapato, calça e diante de um dos melhores goleiros do Brasil, Campeão Brasileiro e apontado como um dos principais responsáveis por aquele título de 1985. Mas perdi a Coca para o Rafael.
Ontem, Kleber lembrou as minhas cobranças de pênalti em Rafael. Um amador diante de um profissional. Amedrontado, displicente, que parecia ter em jogo apenas uma Coca-Cola, não a responsabilidade que deveria ter, ao vestir a camisa do Coritiba, espacialmente na situação em que está. Assim, com este comportamento, sobra muito pouco para convencer o torcedor do contrário.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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