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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Vamos nos unir?

Assim como muitos daqui, também cansei de apanhar. De chegar ao fim do ano e não ter quase nada para comemorar. Também me enche o saco ser zoado pelos rivais, que agora ressurgem em maioria.

Mal ou bem, certo ou errado, somos parceiros do Londrina, na Série B. Tô sacudo desta realidade que nos acompanha há anos. Bem cheio mesmo de ver uma debandada geral de sócios, esvaziando nossas arquibancadas a cada ano.

Quando chegamos num momento que vivemos recentemente, as eleições, nos dividimos. Uns dizem que não temos oposição, outros insistem em outras questões que na verdade acabam sendo um apego a convicções das quais não abrir mão de forma alguma é a prioridade. E aí, fica este cabo de guerra com o Coritiba no meio, nesta briga de cachorros raivosos, que deixa o ambiente ainda mais conturbado.

As pessoas tomam partido e se posicionam na defesa de ideias pessoais esquecendo até que a principal razão, o Coritba, acaba ficando de lado. Defendemos nossas teses, compramos brigas, formamos grupos em nome do que acreditamos. Alguns casos acabam se distanciando do objetivo principal que deveria ser o bem do clube. Isso é do homem, da história da humanidade. Não seria eu o inocente em acreditar que na torcida do Coritiba seria diferente. Mas temos peculiaridades que podem ser melhoradas.

Não tenho lado, o meu lado é o Coritiba, como imagino ser o lado de todos aqui. Já disse que ninguém é mais torcedor que o outro. Sei que sofremos infiltração de grupos com outras intenções. Por exemplo, de gente interessada em apenas fazer dinheiro, se aproveitando do trânsito livre que encontra no clube(parece que isso está em vias de acabar). É contra estes problemas que devemos nos unir. Estes caras sim, são um dos maiores problemas e uma das origens dos seguidos insucessos do Coritiba, com consequência no departamento de futebol.

Se Samir Namur representa continuísmo para alguns, ligação com administração anterior, ou a velha política, ou inexperiência, vamos ver adiante e cobraremos se necessário.

Não tive e nem tenho compromisso com ninguém e com nenhum deles durante a campanha. Nem com Pedro, nem com Vialle e nem com o presidente eleito. Apenas me posiciono agora a favor de Samir Namur, porque acredito que o rumo diferente que diz querer dar, é no mínimo uma proposta bem intencionada e que pode funcionar. Se não der, serei seu crítico.

Aproveitamos as portas que nos abrem para levar ao torcedor as informações que sempre nos foram negadas pelas administrações fechadas e que se repetiram nos vícios administrativos, alguns até escusos. Vejo este momento como um dos mais delicados do clube em sua recente história. Ideal para mudança ou pelo menos a tentativa de mudar esta história.

Pensando bem, não sei se a Serie B não é mesmo o lugar onde devemos estar neste momento. A um preço bem alto, sei disso, mas o momento parece bem oportuno. Despesa mais baixa, exigência de nível técnico inferior, com custo bem menor, uma boa hora para arrumar a casa financeiramente e preparar o Coritiba para um ou dois anos, com folego para recomeçar a sua vida de forma mais organizada e retomar finalmente o caminho de sucesso que queremos.

Não tenho lado. Meu lado é o Coritiba. Não tenho nenhuma pretensão, não ganho nada com isso. Apenas o prazer de estar tratando de algo que gosto. Aliás, só tenho custos com esta brincadeira. O Coritiba nunca me rendeu nenhum centavo. Pelo contrário, já deixei e ainda deixo muito dinheiro, dentro do clube. E até aqui, para ter como retorno acusações imbecis, e ainda entregar meu dinheiro a uma administração incompetente, até recentemente. Além do tempo que gasto com tudo isso, que alguns de vocês sabem muito bem como é.

Para muitos sei que é difícil entender, mas com menos egoísmo e teimosia, fazendo força, vai perceber que não é difícil a gente ajudar a arrumar a casa juntos. Cada um dá o que pode e o que tem, se quiser.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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