Vira-latas
Tanto não sabe que em uma de suas colunas, na Tribuna do Paraná, elege Fernandinho, o meia da Seleção de Tite, como um jogador completo. Ironicamente, Mafuz diz que Fernandinho é jogador completo, do desarme, no passe e até como homem gol.
Concordo em apenas uma questão: no gol. Especialmente no gol meio sem jeito, o primeiro da Bélgica nesta inesquecível sexta-feira para o futebol Brasileiro. Porque de resto, se fosse pra contratar Fernandinho a partir da avaliação do jogo de hoje, contra a Belgica, seria descartado por mim.
Não, não estou aqui tentando lavar a alma descontando toda minha frustração em Fernandinho, Mafuz ou na Seleção. Apenas uso o caso para lembrar que avaliar futebol é mesmo algo só para corajosos. Como fez Mafuz, avaliando o jogador antes de vê-lo como titular na meia cancha brasileira nesta partida.
Porque além da enorme margem de erro que precisa ser levada em conta, o futebol me parece cada vez mais inexplicável. Mesmo que alguns ainda teimem em tentar provar o contrário, buscando lógica em algumas avaliações.
Não que o Brasil merecia ir mais longe nesta Copa, mas não só nesta Copa, com seus resultados estranhos, alguns que se corrigiram a tempo, outros não, mas serve como exemplo e prova para esta argumentação de que às vezes é mesmo muito difícil entender o futebol.
Não foi por acaso que Nelson Rodrigues criou a expressão “sobrenatural de almeida”, em uma fiel referência ao inexplicável do futebol. Uma questão que talvez deixe o futebol mais intrigante ainda, assim como é a nossa paixão por ele, o transformando em algo que talvez defina a própria alma, a personalidade brasileira. Capaz de transformar a vida de milhões de pessoas, e de uma grande parte destas pessoas que só saboreiam o chantilly do bolo, a Copa do Mundo, de 4 em 4 anos. Não sabem e nem querem saber de outros temas e dos graves problemas que vive o futebol brasileiro.
Para não sofrer tanto assim, com as frustrações da bola, talvez ainda nos falte o sangue de barata, como fazem os europeus, deixando o futebol no lugar que deve ocupar em nossas vidas, e com isso, transformar as frustrações, como esta eliminação prematura, na minha opinião, em casualidade ou em algo que seja incorporado com mais naturalidade. Com o tanto de frustrações que já acumulamos nos últimos anos, este caminho parece inevitável.
Quem sabe nos falte mesmo, entender o futebol de um outro jeito: que há tempos não somos mais os imbatíveis e poderosos, assim como o Coritiba que também já não é mais o mesmo há anos.
Vira e mexe, estas frustrações passam e mais adiante, lá na frente, nos flagramos de novo acreditando mais uma vez em super-heróis, em invencibilidade.
Evocando de novo Nelson Rodrigues: quer saber mesmo? Acho que precisamos mesmo é perder este complexo de vira-latas.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (39)
