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ArquibancadaSergio Brandão

Vira-latas

Não é de hoje que uma pequena parte da torcida Coxa, elegeu Augusto Mafuz como um dos mais bem informados jornalistas, sobre coisas do próprio Coritiba, às vezes, melhor informado até que muito Coxa - Branca por aí. O que é pura verdade, como também não é verdade que Mafuz sabe tudo de futebol - como também dizem alguns por aí.

Tanto não sabe que em uma de suas colunas, na Tribuna do Paraná, elege Fernandinho, o meia da Seleção de Tite, como um jogador completo. Ironicamente, Mafuz diz que Fernandinho é jogador completo, do desarme, no passe e até como homem gol.

Concordo em apenas uma questão: no gol. Especialmente no gol meio sem jeito, o primeiro da Bélgica nesta inesquecível sexta-feira para o futebol Brasileiro. Porque de resto, se fosse pra contratar Fernandinho a partir da avaliação do jogo de hoje, contra a Belgica, seria descartado por mim.

Não, não estou aqui tentando lavar a alma descontando toda minha frustração em Fernandinho, Mafuz ou na Seleção. Apenas uso o caso para lembrar que avaliar futebol é mesmo algo só para corajosos. Como fez Mafuz, avaliando o jogador antes de vê-lo como titular na meia cancha brasileira nesta partida.

Porque além da enorme margem de erro que precisa ser levada em conta, o futebol me parece cada vez mais inexplicável. Mesmo que alguns ainda teimem em tentar provar o contrário, buscando lógica em algumas avaliações.

Não que o Brasil merecia ir mais longe nesta Copa, mas não só nesta Copa, com seus resultados estranhos, alguns que se corrigiram a tempo, outros não, mas serve como exemplo e prova para esta argumentação de que às vezes é mesmo muito difícil entender o futebol.

Não foi por acaso que Nelson Rodrigues criou a expressão “sobrenatural de almeida”, em uma fiel referência ao inexplicável do futebol. Uma questão que talvez deixe o futebol mais intrigante ainda, assim como é a nossa paixão por ele, o transformando em algo que talvez defina a própria alma, a personalidade brasileira. Capaz de transformar a vida de milhões de pessoas, e de uma grande parte destas pessoas que só saboreiam o chantilly do bolo, a Copa do Mundo, de 4 em 4 anos. Não sabem e nem querem saber de outros temas e dos graves problemas que vive o futebol brasileiro.

Para não sofrer tanto assim, com as frustrações da bola, talvez ainda nos falte o sangue de barata, como fazem os europeus, deixando o futebol no lugar que deve ocupar em nossas vidas, e com isso, transformar as frustrações, como esta eliminação prematura, na minha opinião, em casualidade ou em algo que seja incorporado com mais naturalidade. Com o tanto de frustrações que já acumulamos nos últimos anos, este caminho parece inevitável.

Quem sabe nos falte mesmo, entender o futebol de um outro jeito: que há tempos não somos mais os imbatíveis e poderosos, assim como o Coritiba que também já não é mais o mesmo há anos.

Vira e mexe, estas frustrações passam e mais adiante, lá na frente, nos flagramos de novo acreditando mais uma vez em super-heróis, em invencibilidade.

Evocando de novo Nelson Rodrigues: quer saber mesmo? Acho que precisamos mesmo é perder este complexo de vira-latas.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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