Saber o próprio tamanho
Não acho que o Rangel tenha comprometido, muito pelo contrário. Errou ao segurar a bola, mas sem ele teríamos tomado uns sete. O azar também pesou: bola na trave, gol perdido pelo Tinga, desvios no zagueiro. E o restante do time? É o que temos. É o que nosso orçamento permite.
O futebol brasileiro gira em torno do eixo Rio-São Paulo. Morei no Rio de 2010 a 2015 e vi de perto como o futebol paranaense parece distante e pequeno de lá. Mineiros e gaúchos vêm um degrau abaixo em mídia e receita. O resto, Coritiba incluso, são clubes tradicionais, mas pequenos. Reconhecer isso não é derrotismo: é o que permite traçar planos condizentes e, para nós torcedores, enxergar o futebol pela ótica certa.
Enfrentar o Fluminense no Rio era uma tragédia anunciada. Sem dinheiro e sem peças de reposição, não dá para competir de igual para igual. É preciso explorar as fraquezas do adversário ou ser um time encardido de ser batido. Fizemos isso no primeiro turno, mas esse combustível acabou.
O que eu quero ver é o Coxa na Série A não só em 2027, mas pelos próximos quinze anos no mínimo. Chega de sobe e desce. Quero melhorias no CT e no Couto Pereira, investimento e valorização da base, e uma torcida que vá além da capital, num estado onde há mais torcedores de paulistas e gaúchos do que dos clubes locais. Nada disso saiu do papel.
O alerta está aí, não no campeonato de 2026.
Amo as histórias dos grandes times dos anos 70, mas estamos em 2026. Desde 1985, quando fomos campeões com a pior campanha da história de um campeão, não ganhamos nada expressivo. Não quero que nos contentemos com saudade.
Planejar, investir e saber o próprio tamanho. É isso que gera confiança de dentro para fora, e só assim chegaremos aos sonhos que almejamos.
SAV
Sobre o autor
Nascido em Curitiba em 1979, agradeço muito ao meu pai por me levar aos jogos do Coxa no final dos anos 80. O velho me presenteou com partidas memoráveis de Tostão, Chicão, Carlos Alberto, Kazú, Marildo... e seguimos pelos anos 90 de Alex, Nascimento, Pachequinho, Zambiasi, Jorjão... e assim o Couto Pereira virou uma segunda casa, repleta de amigos e memórias sensacionais (mesmo nas adversidades).
Sobre o blog
Barulho no Couto é um blog de torcedor para torcedor, escrito diretamente de Paris. Um espaço democrático para discutirmos e analisarmos o momento atual do nosso Coritiba, assim como lembrarmos de boas resenhas que começaram lá nos anos 90 no estádio mais fantástico do Brasil.
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