2019 x 2021 - semelhanças e diferenças.
Algumas vitórias com boas apresentações, outras apenas suficientes e em outras com a sorte nos favorecendo. No mais, derrotas inaceitáveis como contra o CSA e a de ontem quando voltamos do intervalo com 2 x 0 em nosso favor. Não fosse o gol contra o Brasil de Pelotas nos estertores da partida, talvez a esta hora estivéssemos lamentando a necessidade de resultados combinados para nos classificarmos, apagando as 17 rodadas em que estivemos em primeiro lugar, algumas vezes com diferença marcante de pontos para os que nos seguiam.
Concorreu para isso, e muito, o fraco plantel à disposição da comissão técnica. De goleiros, vimos ontem que estamos mal servidos. Na zaga o Henrique é insubstituível e sem ele o Luciano Castan não se dá bem, nada mais restando para a posição a não ser talvez algum dos jovens oriundos da base que ainda não foram testados. No ataque, Igor Paixão e Waguininho foram razoáveis, alternando boas e más partidas e bons e maus momentos no mesmo jogo, mas na primeira divisão devem ser apenas reservas (assim como o Biro). Léo Gamalho é indiscutível goleador, mas não sei se tem o perfil que a série A exigirá. De Willian Alves e Dalberto é desnecessário falar, foram erros gritantes suas contratações.
Mas na meia cancha está o nosso ponto mais frágil. Como vimos ontem e em muitos outros jogos, Gustavo Bochecha e Mateus Sales, são muito fracos tecnicamente e o último nem vontade de jogar tem, parecendo acomodado com o bom contrato que lhe rende polpudo salário. Na minha visão, para o próximo ano daria para contar com o Willian Farias e no campeonato estadual ainda tentar o Biel e o Bernardo para ver se confirmam a expectativa que se tem. Rafinha e Robinho, ainda que tecnicamente à altura, não têm mais forças para disputar um campeonato tão difícil como será o do próximo ano.
Terminamos a disputa com 64 pontos alcançados, número inferior ao do ano de 2019 quando obtivemos 66 pontos.
Nesses números, desempenho pior do que da última vez em que retornamos para a primeira divisão, com muita semelhança entre os times, que venceram muitas vezes sem convencer.
A diferença entre as campanhas é que agora vimos, ainda antes de o campeonato terminar, a diretoria mostrando estar insatisfeita com o elenco, consciente de que deve qualificá-lo muito para disputar a série A com dignidade, abrindo-se para os torcedores, enquanto a gestão que comandava o clube em 2019 pouco ou nada qualificou o time e não se comunicava com os coritibanos.
Espero que ações efetivas na montagem de um bom time para disputar o campeonato do ano que vem com um pouco de dignidade aconteçam e tentemos uma classificação para a Copa Sul-americana. Reconstruir o Coritiba após os fracassos dos últimos anos não será tarefa para mostrar resultados amanhã, deverá ser gradual e segura. Mas também não podemos adiar muito a reestruturação. Aguardemos, dando voto de confiança.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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