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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Descortesia Farroupilha



Domingo próximo, contra o Internacional, em Porto Alegre, o Coritiba terá a chance de demonstrar se, ao massacrar o Botafogo reencontrou o futebol que no primeiro semestre do ano encantou ao Brasil, ou se se tratou de mais uma manifestação de sua bipolaridade em que vem alternando momentos de euforia com de depressão desde que chegou ao ápice na histórica goleada que aplicou no Palmeiras.

O melhor ataque do campeonato voltará a funcionar? Os baixinhos da meia cancha terão a efetividade que tiveram no domingo passado? A zaga será absoluta como foi contra o Botafogo? Marcelo Oliveira acertará a mão?

Enfim, mesmo que não se possa exigir outra apresentação de gala como a que vimos contra o Botafogo, há potencial para esperar não só uma boa exibição, mas essencialmente uma boa vitória. Sim, porque de boas apresentações sem vitórias já estamos cansados. Se for para ganhar sem jogar bem, ótimo. E se ganhar jogando bem, melhor ainda.

Penso que o jogo de domingo poderá definir o rumo que o Coritiba tomará no campeonato. Abrirá caminho para disputar uma vaga para a Copa Libertadores ou se manterá subindo e descendo entre o oitavo e o décimo segundo lugares? Mostrará ao Brasil que o sucesso da série de vitórias e de invencibilidade do primeiro semestre não foi fruto do acaso ou da inferior qualidade dos adversários ou permitirá que os despeitados continuem a fazer tais afirmações?

A estatística dos jogos do Coritiba em Porto Alegre não nos é favorável e não ganhamos do Internacional em sua casa desde o ano de 2002. É muito tempo, praticamente um tabu que já passa da hora de ser quebrado. Se talvez desde aquele ano não tivemos time com qualidade suficiente para derrotar os colorados na casa deles, neste ano, pelo menos em tese, como dizia Barack Obama, “sim, nós podemos”.

Chega de subir um degrau e descer outro. Chega de um dia alegrar a torcida e no outro deixá-la com os cabelos em pé. Está na hora da afirmação. O nó górdio tem que ser desatado no domingo.

E se tratará de um domingo especial para alcançarmos a vitória, uma vez que o Internacional está praticando uma grande descortesia e desconsideração para com a torcida do Coritiba, ao fixar em nada menos do que R$ 100,00 (cem reais!) o ingresso dos visitantes, destinando-nos um cantinho da arquibancada inferior, em posição enviesada, no pior lugar do estádio (visitem o site deles e vejam no mapa dos ingressos onde nos colocarão). A mesma arquibancada inferior, em local melhor do que aquele a nós destinado custará apenas R$ 30,00 para a torcida local, mesmo que não-sócio! Em suma, parece claramente atitude destinada a desestimular a presença dos coritibanos no estádio.

Como cônsul local, sempre que o Coritiba joga em Porto Alegre faço conclamações aos torcedores aqui residentes e cadastrados, mas desta vez, embora não vá deixar de fazer o chamado, o farei com algum constrangimento, pois sei como para a expressiva maioria será difícil despender o valor exorbitante do ingresso, que deverá se somar (ou impedir) ao do transporte, talvez estacionamento ou um pequeno lanche ou bebida. Não posso censurar nenhum coxa-branca de Porto Alegre que, em tais circunstâncias, não possa ir ao jogo.

É lamentável a conduta não hospitaleira do colorado dos pampas (fugindo à tradição do povo gaúcho), ainda mais porque não foi esse o tratamento que demos a eles quando jogaram em Curitiba. Ficaram, como todas as torcidas adversárias ficam, na arquibancada superior e, ainda que não lembre o valor, o preço não foi escandaloso e nem de perto inibitório como o aqui praticado. Foram bem acolhidos e retribuem dessa maneira? Lamentável é o mínimo que posso dizer.

Mais uma razão para, ainda que poucos abonados e bravos possam comparecer ao estádio e ver o jogo na pior localização, tratarmos de conseguir uma vitória para ser um verdadeiro divisor de águas (com o perdão pelo uso do lugar-comum) de nossa trajetória no campeonato e que representará um tapa de luva (de novo o lugar-comum) na descortesia dos dirigentes colorados gaúchos, praticada exatamente na Semana Farroupilha.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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