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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Marketing, por si só faz um jogador bom?


Nos últimos tempos, ao acessar sítios direcionados ao futebol – jornais online e outros – passei a ficar com um pouco de dúvida sobre quem é o ídolo e a referência no atual time do Coritiba - Alex ou Robinho - assim como estou vacilando sobre se a minha experiência de vida me levou a agora, na maturidade, passar a ter conceitos errôneos sobre o futebol.

Sim, amigos, porque embora saiba o que o Alex já jogou nos últimos quinze anos e tenha segurança de que logo ali voltará ao mesmo futebol que encantou ao mundo, a mídia dá tanto ou mais destaque ao Robinho em matérias nas quais ele parece ser a referência ou o grande jogador ou o porta-voz dos demais atletas do Coritiba, e isso vem constantemente ocorrendo (por exemplo, no dia 27 último ele foi referido em quatro matérias distintas).

É velha a expressão de que a “propaganda é a alma do negócio”. Há que se reconhecer a competência da sua assessoria de imprensa, a qual certa vez não tratei muito bem em coluna, mas tenho que reconsiderar e reconhecer que é eficiente, sabe colocar o assessorado em destaque. Mas em que pese seja assim, devemos lembrar que a assessoria atua em favor do jogador e não do clube, de modo que, a despeito de conseguir que o atleta esteja sempre na vitrine, isso não significa que é o craque que às vezes se tenta afirmar explícita ou implicitamente.

Na verdade, o Robinho não é mau jogador, não se pode dizer isso, de modo algum. Já o vi jogando bem, faça-se justiça, mas nunca o vi bem contra times fortes ou quando o Coritiba como um todo atuou mal. Mas é apenas mediano, não o craque que procuram pintar e o seu nível técnico não está à altura de um time que pretende ultrapassar os limites estaduais e deve - como disse o Alex - pensar grande. E menos ainda a sua qualificação técnica justificaria tanta exposição, não fosse a competente assessoria, o que talvez se explique pela tentativa de que a repetição do conceito possa gerar efeitos em alguns desavisados torcedores (se aparece tanto e muitos a toda hora estão dizendo que ele é um craque, então é porque é mesmo...).

Peço aos amigos que, se for possível, esperem um pouco e deixem para firmar suas convicções e, se for o caso, me contestar depois que se iniciar o campeonato brasileiro e o Robinho venha a enfrentar grandes times. Se ele se sair bem contra alguns dos melhores times do Brasil – nem digo todos, sei que é impossível para qualquer jogador e qualquer time – e se destacar às vezes, mesmo quando o Coritiba como um todo não atuar bem, vou me convencer de que tudo o que penso e o que aqui escrevi foram equívocos e que os meus conhecimentos e visões do futebol, firmados muito mais no saber da experiência de vida do que em conhecimentos teóricos, necessitam atualização. Então, se assim ocorrer, louvarei o Robinho como ele fizer por merecer, sem nenhum problema.

Aliás, torço muito para que assim seja, pois quem tem a ganhar é só o Coritiba.

Marketing eficiente permite que sejam eleitos políticos medíocres e que alguns artistas se tornem ídolos por algum tempo. Mas em se tratando de futebol, não há como construir imagem de algum jogador sem que ele mostre em campo que a merece. Nesta atividade, a do futebol, o craque e o ídolo se fazem por si sós.



Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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