Não entusiasma
Pois bem. Agora já posso falar. Domingo passado estive em Curitiba e assisti à vitória contra o Roma-Apucarana e hoje, como todo o Brasil, vi a magérrima vitória contra o Ypiranga de Erechim, com resultado que nos obrigará a abrir as portas do Couto Pereira com obrigação de pelo menos empatar com equipe que nenhuma tradição tem no cenário futebolístico nacional.
E, amigos, o que vi não foi de entusiasmar.
Não sou colunista que se sente mais inspirado nas dificuldades, quando deve ser mais fácil falar e escrever, pois basta deitar críticas a tudo e a todos que a polêmica garante Ibope. Também não gosto de torcedores do tipo daqueles que retratei como “Aderbal” (http://www.coxanautas.com.br/colunistas/rauen/conteudo.phtml?id=4563&t=A-SATISFACAO-DO-ADERBAL) que nunca estão satisfeitos com o time, sempre exigem mais e parece que só se realizam nas derrotas.
Longe disso, mas o time, repito, não entusiasma.
Contra o Roma-Apucarana até que entendi satisfatória a apresentação, uma vez que embora o adversário não qualificado, o placar foi construído sem dificuldades e a segunda etapa transcorreu debaixo de muita chuva, circunstância que desfavorece bastante o time que tem mais técnica. Mas já ali observei duas características da equipe que hoje se repetiram: excesso de preciosismo por parte de alguns atletas e falta de objetividade do ataque. Claro, mesmo assim fez três gols e este dado objetivo pode colocar por terra qualquer crítica ao ataque, mas não é bem assim, como vi hoje.
Agora, contra o Ypiranga de Erechim, time que alterna participações entre a primeira e segunda divisões do futebol gaúcho, o Coritiba mostrou que falta muito, talvez muito mesmo, para estar em condições de enfrentar a série A do campeonato brasileiro pelo menos como participante efetivo e não como mero coadjuvante que lutará apenas para se manter na elite.
Marcos Aurélio e Rafinha se excederam em toques e firulas sem objetividade, jamais levando perigo ao gol adversário ou colocando um companheiro em condição de tal. Bill, para ser generoso, no mínimo é tosco, uma vez que a bola parece que não quer ficar no pé dele. Pereira se saiu bem nas bolas altas e nas antecipações, mas – característica que já observo há algum tempo – se o adversário parte contra ele com a bola dominada é um “Deus nos acuda”. Willian entrou muito mal, perdendo quase todas as bolas e fazendo faltas desnecessárias. E por aí foi com a maioria.
Mesmo deixando de lado as individualidades e mesmo lembrando que com exceção do gol anulado o Ypiranga jamais levou perigo a Edson Bastos, não podemos esquecer que também com exceção do nosso gol – em impedimento! – e de um chute do Anderson Aquino na trave, nunca incomodamos o goleiro adversário, assim como devemos lembrar que o oponente teve um atleta expulso por volta de metade da primeira etapa e mesmo assim não conseguimos ter o domínio da partida, ainda que físico.
E o que dizer da falta de vibração da equipe, com exceção do sempre aguerrido Leandro Donizete ? Será que estavam com a cabeça no atleTIBA? Espero que sim, pois nada mais poderia justificar a ausência de vibração (fique bem claro, falta de vibração e não apatia ou desinteresse, isso jamais houve). Aliás, desde já o atleTIBA preocupa, pois a rigor o atual time do Coritiba ainda não enfrentou nenhuma equipe forte e contra o único adversário em relação ao qual o fator emocional pesou, o paraná, concedemos ao adversário um dos seus dois empates no campeonato.
Enfim, amigos, escrevendo logo após o jogo e com o risco do equívoco pela falta de tempo para ponderação e reflexão, lamento dizer que o time não entusiasma, não é o que quero para dar continuidade à nossa refundação.
E pior, o Brasil inteiro nos viu.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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